‘Moro entendeu que precisava de estrutura maior’, diz Alvaro Dias após receber ligação do ex-juiz

À Jovem Pan, líder do Podemos no Senado diz entender decisão do ex-magistrado de deixar a sigla para migrar ao União Brasil

  • Por André Siqueira
  • 31/03/2022 14h03 - Atualizado em 31/03/2022 14h09
Jefferson Rudy/Agência Senado O senador Álvaro Dias em pronunciamento Alvaro Dias é líder do Podemos no Senado e um dos principais quadros da legenda a nível nacional

Líder do Podemos no Senado e um dos principais quadros da sigla a nível nacional, Alvaro Dias (PR) disse à Jovem Pan, em conversa na tarde desta quinta-feira, 31, que entende a decisão do ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, de migrar para o União Brasil. “Ele disse que, para preservar a candidatura dele, entendeu que seria necessário uma estrutura maior, para ter mais força no centro democrático. O objetivo é esse, em resumo”, afirmou. “Eu acho que temos que compreender e respeitar a decisão. A decisão partidária é sempre pessoal. Quando se decide por um partido, você busca identidade em razão das causas, das bandeiras que o partido sustenta. Foi isso que motivou ele [Moro] a se filiar ao Podemos. Mas houve choque com a realidade do sistema político derrotado que é o nosso no Brasil. É um sistema político que substitui os conceitos por estrutura material. No Brasil, o fundo eleitoral acaba sendo predominante e prevalece sobre teses e projetos”, acrescentou.

Apesar da consternação, Alvaro Dias diz não se sentir traído pelo ex-juiz. “Traído? Não, não. Entendo bem a decisão dele. Isso não diminui o meu apreço por ele. Muito pelo contrário. Afinal, ele está imbuído de bons propósitos”, resume. Em 2018, quando concorreu à Presidência da República, o senador pelo Paraná disse que, se eleito fosse, escolheria Sergio Moro para comandar o Ministério da Justiça. Quando o ex-juiz da Lava Jato decidiu entrar formalmente para a política, Dias foi seu principal padrinho.

Questionado sobre os rumos do Podemos na eleição deste ano, Alvaro Dias afirma que o partido “será maior do que era, apesar de todos esses acontecimentos”. Além de perder Moro, a sigla, presidida pela deputada federal Renata Abreu, sofreu com a crise causada pelo áudio vazado do deputado estadual Arthur do Val (SP) – na gravação, o parlamentar, conhecido como Mamãe Falei, diz que as refugidas ucranianas “são fáceis porque são pobres”. Do Val retirou sua pré-candidatura ao governo paulista e deixou o Podemos. “O partido vinha sendo construído para dar um salto neste ano. Certamente não dará na dimensão que era esperado, mas ainda assim terminará maior do que era”, prevê o senador. Ele afirma, também, que o ex-procurador Deltan Dallagnol será a grande estrela da legenda nas urnas. “Será o puxador de votos para deputado federal no Paraná, fará uma grande votação. Na verdade, o voto é sempre imprevisível, não podemos fazer apostas, mas acredito que ele terá um bom desempenho”, avalia.