PT e PSD avançam por acordo em Minas Gerais

Partido de Gilberto Kassab ofereceu aos petistas o posto de vice-governador na chapa de Alexandre Kalil (PSD) ao governo do Estado; aliança é considerada importante pelas duas legendas

  • Por André Siqueira
  • 17/05/2022 14h52 - Atualizado em 17/05/2022 17h34
BRUNO ROCHA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO E LUCAS PRATES/HOJE EM DIA/ESTADÃO CONTEÚDO Montagem com fotos de Lula e Alexandre Kalil Kalil quer o apoio de Lula em Minas; ex-presidente busca palanque no segundo maior colégio eleitoral do país

O PT e o PSD avançaram, nos últimos dias, para construção de um acordo sobre as eleições estaduais em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Segundo apurou a Jovem Pan, o partido de Gilberto Kassab deve ceder o posto de vice-governador na chapa de Alexandre Kalil (PSD) a um petista. O aceno visa garantir o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ex-prefeito de Belo Horizonte.

A ideia é ceder o posto de vice na chapa de Kalil ao deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), líder da sigla na Câmara dos Deputados e até então candidato petista ao Senado. Outro nome aventado, de acordo com relatos feitos à reportagem, é o do deputado estadual André Quintão. A princípio, o cargo seria ocupado pelo presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Agustinho Patrus, que trocou o PV pelo PSD recentemente e é um aliado de Kalil no Legislativo mineiro.

“A aliança está praticamente construída, falta detalhar os espaços. Estou responsável pelo desenho do acordo”, disse Lopes à Jovem Pan. Na tarde da segunda-feira, 16, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, foi ao Twitter comentar as tratativas. “Importante conversa hoje com Lula e o companheiro Reginaldo Lopes, que vai conduzir a construção do palanque Lula-Kalil e coordenar a campanha de Lula e Alckmin no Estado. Juntos para vencer em Minas e no Brasil”, escreveu. Procurada pela reportagem para comentar a possibilidade de Reginaldo Lopes ocupar a vice de Kalil, Hoffmann não respondeu.

O possível acordo entre PT e PSD pode colocar fim a um impasse que se arrastava há semanas. Nessa configuração, o partido de Kassab manteria a candidatura de Alexandre Silveira ao Senado e contaria com o apoio de Lula e seus aliados na composição. Como a Jovem Pan mostrou, Kalil sempre foi um entusiasta do acordo com o Partido dos Trabalhadores. O ex-prefeito de Belo Horizonte, porém, dizia a interlocutores que esperava um apoio explícito dos petistas, e não um “namoro escondido”. O desfecho positivo nesta tratativa é considerado importante para as duas partes. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada na sexta-feira, 13, Kalil tem 30% das intenções de voto, ante 41% do governador Romeu Zema (Novo), que busca a reeleição. Quando recebe o apoio do ex-presidente, porém, o ex-prefeito da capital chega a 43%. Se, por um lado, o pessedista ganha musculatura na disputa, por outro, Lula conquista um palanque robusto no segundo maior colégio eleitoral do país.