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Política

Requerimentos de governistas deram munição à CPI em investigações que atingem o governo

Conversas que revelam atuação do lobista Marconny Faria e sua relação com pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro foram obtidas a partir de requerimento do senador Ciro Nogueira

André Siqueira

A atuação da tropa de choque governista na CPI da Covid-19 deu munição ao grupo majoritário que compõe a comissão em investigações que atingem o governo do presidente Jair Bolsonaro. Duas das principais linhas de apuração do colegiado, o processo de compra da vacina Covaxin e a relação do lobista Marconny Albernaz Faria com pessoas próximas ao chefe do Executivo federal e servidores do Ministério da Saúde, foram abastecidas por informações que chegaram aos senadores a partir de requerimentos apresentados por aliados do Palácio do Planalto.

O caso mais recente envolve Marconny Faria e um pedido do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que deixou a titularidade da CPI quando assumiu a Casa Civil – a cadeira passou a ser ocupada pelo senador Luis Carlos Heinze (PP-RS). Em um de seus requerimentos, o cacique do Centrão pediu às 27 Procuradorias Gerais de Justiça e ao Ministério Público Federal o envio da cópia integral de todos os inquéritos e investigações relativos à aplicação de recursos federais nos Estados, no Distrito Federal e em municípios com mais de 200 mil habitantes.

Com o compartilhamento dessas informações, a comissão teve acesso às quebras de sigilo do lobista, alvo de uma operação no Pará que apurava uma possível fraude a uma licitação para a compra de testes de Covid-19 que envolvia a Precisa Medicamentos. Foi a partir do telefone celular de Marconny que os senadores identificaram as mensagens que falavam sobre “a arquitetura da fraude” que envolvia o lobista, o dono da Precisa, Francisco Maximiano, o ex-diretor de um órgão ligado à Anvisa José Ricardo Santana e o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, “o Bob”. As conversas privadas também mostram que Faria e Santana se conheceram em um churrasco que ocorreram na casa da advogada de Bolsonaro, Karina Kufa, e que o filho do presidente, Jair Renan, recorreu ao lobista que está na mira da comissão para abrir uma de suas empresas.

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Em um caso anterior, um requerimento do senador Eduardo Girão (Podemos-CE) que mirava apurar eventuais desvios de recursos federais subsidiou a apuração da CPI da Covid-19 sobre a importação da Covaxin. Em depoimento ao MPF, o chefe de Importação do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, disse que sofreu “pressão anormal” de auxiliares do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para agilizar o processo de compra. Na esteira desta linha investigativa, a comissão apontou que a Precisa fraudou documentos enviados ao Ministério da Saúde e que o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, apresentou um documento falso para defender o Planalto e rebater as denúncias de irregularidades na aquisição do imunizante indiano.