Porto Rico insta a seus credores a negociar e evitar prejuízos de litígio

  • Por Agencia EFE
  • 13/07/2015 21h45

Nova York, 13 jul (EFE).- O governo de Porto Rico pediu nesta segunda-feira aos seus credores que aceitem negociar os termos de pagamento da dívida, mas sem oferecer nada concretamente, e evitar assim as consequências de um litígio nos tribunais americanos que pode ser longo e caro.

Esta foi a mensagem transmitida hoje aos credores da ilha durante a primeira reunião entre eles e o governo de Porto Rico para tentar convencê-los da necessidade de renegociar os termos do pagamento da dívida, que passa dos US$ 72 bilhões e que asfixia as contas de um território de apenas 3,6 milhões de habitantes.

Durante a reunião, que durou pouco mais de uma hora em um auditório da sede do Citigroup em Manhattan, Jim Millstein, ex-funcionário do Tesouro dos EUA e assessor de Porto Rico nestas negociações, encorajou os credores da ilha a melhorarem sua disposição de negociar em benefício de todas as partes, mas não quis concretizar propostas.

A secretária de finanças de Porto Rico, Melba Acosta, afirmou que, para superar a crise, serão necessários sacrifícios de todas as partes, tanto da sociedade e do governo porto-riquenho como dos credores.

Um litígio “interminável” por causa da incapacidade da ilha de pagar os juros da dívida no vencimento danificaria ainda mais a situação financeira, o que prejudicaria também os credores, que teriam mais dificuldade em recuperar seu investimento.

“Estamos comprometidos em trabalhar com todas as partes para garantir que Porto Rico está no caminho correto para a recuperação, e esperamos contar com vocês neste processo”, disse Acosta.

Um pequeno grupo de manifestantes estava em frente à sede do Citigroup para pedir aos credores que ajudem a ilha a sair do atual atoleiro financeiro.

A secretária expressou o compromisso do governo de apresentar em um mês e meio um plano fiscal “crível” de cinco anos, cujo cumprimento estará garantido por uma junta independente que ajudará a dar credibilidade à ilha.

Também considerou que é necessário um maior envolvimento dos Estados Unidos, e advertiu que “não estamos pedindo um resgate”, mas que Washington abra vias legislativas que facilitariam a recuperação, indicou Acosta às perguntas de alguns credores.

Durante a reunião, o governo de Porto Rico considerou que era cedo demais para entrar em detalhes sobre qual parte da dívida quer renegociar e quais os termos que propõe para isso, e disse que esse ponto deve ser definido em consenso com os credores.

“Peço paciência para que desenvolvamos um plano crível para atender a situação”, que espera que esteja pronto antes de 1º de setembro, disse Acosta durante uma reunião que foi transmitida pela internet.

Millstein assinalou que o ideal seria negociar com “emissor por emissor” e deu o exemplo da Autoridade de Energia Elétrica (AEE), que negocia há quase um ano com seus credores, assim como a Autoridade de Aquedutos e Aquedutos (AAA).

“Estamos conscientes que este processo terá um efeito negativo na economia, por isso queremos que aconteça o mais rápido possível, para que o acesso aos mercados possa se restabelecer o mais rápido possível”, disse em referência à “inevitável” necessidade que Porto Rico terá – a ilha está há quase uma década em recessão – de voltar a pedir dinheiro emprestado.

A reunião foi dedicada basicamente a fazer uma apresentação do relatório que uma equipe liderada por Anne Krueger, ex-subdiretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-economista-chefe do Banco Mundial (BM), elaborou sobre a situação da ilha a pedido do governo local e que já foi divulgado há duas semanas.

Durante a apresentação Krueger foi precisa e destacou a complicada situação financeira da ilha, devido tanto a fatores internos como à sua peculiar relação política com os EUA.

“Encontrar uma saída para essa armadilha resultará em benefício para todos”, disse Krueger, ao que Millstein acrescentou que o governo espera que isto seja possível através de “um processo transparente e aberto que evite os litígios” judiciais. EFE