Portos brasileiros são principal caminho da cocaína para Europa, diz ONU

  • Por Estadão Conteúdo
  • 23/06/2016 09h39
Droga rota

Traficantes e organizações criminosas transformaram o Brasil, com uma costa marítima de 9.000 Km para o Atlântico, no maior entreposto de trânsito de cocaína para abastecer o mercado europeu e africano. Os dados fazem parte de um estudo publicado, nesta quinta-feira (23), pelo Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Drogas e Crimes, que também aponta que o País é o principal local de saída de entorpecentes da América Latina para a Ásia. 

As estimativas apontam que a produção vem, principalmente, de vizinhos brasileiros como Colômbia, Equador, Peru ou Bolívia. Contundo, são nos terminais portuários nacionais que se faz o trampolim para o mercado externo. 

Segundo o levantamento anual das Nações Unidas, cerca de 5% da população adulta do mundo, o equivalente a 250 milhões de pessoas, consumiram ao menos uma vez drogas em 2014. O volume tem se mantido estável nos últimos quatro anos, mas a entidade aponta que o número de pessoas sofrendo com “desordens relacionadas ao consumo de nacóticos” aumentou pela primeira vez em seis anos. Atualmente, são 29 milhões de pessoas nessa situação contra 27 milhões há um ano atrás. 

De acordo com o estudo anual, a quantidade de cocaína confiscada pelas autoridades mais do que dobrou na América do Sul, entre 1998 e 2014, quando atingiu 392 toneladas. Esse volume teria se estabilizado.

Entre 2009 e 2014, a Colômbia representou 56% de todo o confisco na região e mais de um terço de todo o mundo. No segundo lugar, vem o Equador, com 10%, contra 7% para Brasil e Bolívia.

“No Brasil, o aumento da quantidade confiscada é atribuída à combinação de maiores esforços da polícia, de um mercado doméstico em expansão para a cocaína e o aumento de carregamentos para mercados estrangeiros”, indicou o relatório.

De acordo com o informe, nosso País se transformou, de fato, no principal ponto de partida dos ilícitos que chegam até consumidores europeus. A referência não aponta o território nacional como maior produtor, mas, entre 2009 e 2014, os portos de nosso litoral teriam sido os principais pontos de trânsito, seguido pela Colômbia, Equador e República Dominicana, já no mar do Caribe. 

Outra constatação das Nações Unidas é de que as terras brasílicas seriam o principal ponto de partida de cocaína que vai para a África, com mais de 51% dos casos de proveniência. Número bem acima de todos os demais mercados. No caso africano, entre 2014 e 2016, pelo menos 22 toneladas do entorpecente foi confiscada na rota entre a América do Sul e Europa, em rota pelo oeste africano. 

O Brasil também aparece como o maior entreposto comercial de nacóticos que chegam até a Ásia.

Mortes

De acordo com a ONU, cerca de 270 mil pessoas morreram por algum tipo de complicação no consumo de drogas, um volume considerado como “inaceitável” e que pode ser evitado se medidas forem aplicadas. Por todo o globo, existiriam 12 milhões de usuários de entorpecentes injetáveis, dos quais 14% vivem com HIV.

“O impacto geral do uso de drogas, em termos de saúde, continua sendo devastador”, alertou o órgão. Na Europa e na América do Norte, o número de overdoses por conta da heroína registrou um “forte aumento” no último biênio. 

Já a maconha é a droga mais popular do mundo, com cerca de 183 milhões de pessoas que a tenham consumido em 2014. O informe da ONU ainda apontou que a mudança de normas sociais com relação à Cannabis sativa gerou um aumento de seu consumo, em paralelo à maior aceitação social de seu uso e apologia.