Presidência curda pede a renúncia do primeiro-ministro iraquiano

  • Por Agencia EFE
  • 10/07/2014 07h54

Bagdá, 10 jul (EFE).- A presidência da região autonoma do Curdistão iraquiano exigiu nesta quinta-feira a renúncia do primeiro-ministro Nouri al Maliki devido à destruição vista no Iraque, um pedido que veio à tona após o chefe de governo ter acusado os líderes curdos de abrigar os jihadistas em Erbil.

“Deveria pedir desculpas ao povo iraquiano e deixar a cadeira da chefia do Executivo. Quem destrói um país não pode resgatá-lo da crise”, afirmou a Presidência curda em comunicado.

O porta-voz curdo Amid Sabah assegurou que o reduto dos jihadistas do Estado Islâmico (EI) se encontra no território que o próprio Maliki “entregou”, em alusão a debandada do Exército iraquiano, registrada no último mês no norte do país, perante o avanço da insurgência.

Sabah também disse que Maliki se encontra em um estado de “verdadeira histeria e desequilíbrio” e, por isso, tenta “usar todos os meios possíveis para justificar seus erros e fracassos”.

“Escutamos Maliki fazer falsas acusações contra a cidade de Erbil”, declarou Sabah ao comentar as declarações do primeiro-ministro. Ontem, Maliki disse que a capital do Curdistão iraquiano havia se transformado “na sala de operações” do EI e dos baathistas.

Neste aspecto, a Presidência curda afirmou que Erbil não é um lugar dos combatentes do EI e nem de grupo similares, mas sim o “refúgio dos oprimidos que fugiram das ditaduras”.

Na noite de ontem, o parlamento do Curdistão classificou as declarações de Maliki de “acusações sem fundamento para ocultar seu fracasso político e militar”.

Este aumento de tensão entre o governo de Bagdá e o curdo ocorre dias depois que o presidente do Curdistão, Masoud Barzani, desse os primeiros passos para realizar um referendo sobre a independência de sua região.

Além disso, as forças curdas “peshmergas” controlam agora várias zonas em disputa, após a debandada do Exército iraquiano, como a cidade petrolífera de Kirkuk.

O conflito iraquiano adquiriu uma nova dimensão no último dia 29 de junho, quando o EI anunciou um califado entre a província síria de Aleppo e a iraquiana de Diyala. EFE