Presidência da Guatemala diz que fim de imunidade era cenário menos desejado

  • Por Agencia EFE
  • 01/09/2015 22h00

Guatemala, 1 set (EFE).- O porta-voz oficial da presidência da Guatemala, Jorge Ortega, afirmou nesta terça-feira que a retirada da imunidade do presidente do país, Otto Pérez Molina, após decisão do Congresso devido às acusações de corrupção, era o “cenário menos desejado, mas o mais provável”.

Em entrevista à Agência Efe, Ortega atribuiu a decisão do Congresso à conjuntura eleitoral vivida no país. Por unanimidade, os deputados decidiram retirar os privilégios de Pérez Molina, que pode ser indiciado e inclusive preso a qualquer momento.

“A cinco dias das eleições gerais que serão realizadas no próximo domingo, os parlamentares não iam perder a oportunidade de conquistar votos”, afirmou Ortega, garantindo que Pérez Molina mantém a posição de não renunciar e enfrentar o devido processo judicial.

O presidente foi acusado no último dia 21 de agosto pelo Ministério Público e pela Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (Cicig) de liderar o esquema de corrupção nas alfândegas do país batizado como “La Línea”.

Estão envolvidas no caso outras 28 pessoas, entre elas a vice-presidente Roxana Baldetti, presa durante as investigações.

Ortega explicou que o advogado pessoal de Pérez Molina, César Calderón, já tinha alertado o presidente dos possíveis cenários. Apesar de não temer as ações futuras, ele sabe que todas as possibilidades abertas após a retirada da imunidade são “uma rota crítica”.

Pérez Molina apresentou no último domingo um recurso de amparo na Corte de Constitucionalidade (CC), que ainda não emitiu uma decisão. Questionado se mantêm alguma esperança que a CC reverta a decisão do Congresso, Ortega disse apenas esperar um pronunciamento da corte.

Além disso, o porta-voz afirmou que o presidente não se pronunciará por enquanto, já que “deixou claro” na última segunda-feira que sua decisão será “enfrentar o processo”. EFE