Presidente afegão anuncia nova reunião com talibãs daqui a 15 dias

  • Por Agencia EFE
  • 15/07/2015 13h46

Cabul, 15 jul (EFE).- O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, anunciou nesta quarta-feira que representantes de seu governo se reunirão de novo com os talibãs nos próximos 15 dias, depois que ambas partes tiveram seu primeiro encontro oficial na semana passada, assentando as bases para negociações de paz.

“O primeiro passo está dado e a segunda reunião vai acontecer nos próximos 15 dias”, assegurou Gani em discurso perante familiares das vítimas do atentado suicida que no domingo deixou 33 mortos e 23 feridos na província de Khost.

No meio da ofensiva talibã de primavera, Gani antecipou que as partes decidiram transformar a reunião de uma semana atrás no Paquistão em um processo com continuidade e fazer um inventário das reivindicações dos insurgentes.

“Os talibãs são afegãos, cada problema que tenham devem escrevê-lo sobre papel, já que não há nenhum problema que não se possa solucionar com diálogo”, ponderou Gani.

Apesar de defender a intelectualidade e o compromisso como vias para a paz, o presidente advertiu que o Executivo afegão responderá “valentemente com guerra” aos ataques de “todos aqueles que queiram lutar”.

O anúncio sobre a próxima reunião acontece no mesmo dia em que o líder dos talibãs, o mulá Mohammed Omar, se referiu pela primeira vez em quase 14 anos de guerra à possibilidade de realizar “esforços políticos” para alcançar a paz com o governo.

“Os encontros e interações de paz com os inimigos não estão proibidos (pelo islã), o que está proibido é desviar-se dos nobres ideais do islã”, sentenciou o mulá Omar em comunicado por ocasião do fim do Ramadã.

A reunião no Paquistão, na qual foram tratados temas como a presença das tropas internacionais e as sanções da ONU, aconteceu após encontros informais no Catar e Noruega nos últimos meses.

No passado outras tentativas de negociações não deram frutos, como uma iniciativa de diálogo impulsionada em 2013 pelos Estados Unidos no Catar e que fracassou depois que os insurgentes abriram uma delegação oficial no país árabe. EFE