Preso, líder opositor venezuelano Leopoldo López é autorizado a votar

  • Por Agência EFE
  • 06/12/2015 15h12
Líder opositor venezuelano Leopoldo López durante entrevista concedida à Reuters em fevereiro do ano passado, em Caracas, na Venezuela. 11/02/2014 REUTERS/Jorge SilvaLeopoldo López

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, confirmou que o dirigente opositor Leopoldo López, que está na prisão, foi autorizado a votar nas eleições legislativas deste domingo e explicou que, para isso, solicitou ao órgão eleitoral para que seja habilitada uma mesa de votação para este fim.

“Solicitamos que fosse habilitada uma mesa para López exercer” o direito ao voto, declarou a procuradora após ela mesma votar em um colégio de Caracas.

Díaz esclareceu que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) é que vai decidir se a mesa ficará na prisão militar próxima à capital, onde está preso, ou se ele será levado a algum colégio eleitoral da região da penitenciária.

O advogado de López, Juan Carlos Gutiérrez, apresentou no último dia 1º em um tribunal de Caracas um pedido nesse sentido, com o argumento de que López “não está inabilitado politicamente”. Isso porque sua sentença “não foi executada por não ser definitiva, já que foi exercido o recurso de apelação correspondente”.

A defesa de López, considerado pela oposição como um “preso político” – condição negada pela Justiça e o governo -, apelou em 16 de outubro da sentença que o condenou em setembro a 13 anos, 9 meses, 7 dias e 12 horas de prisão.

López, que está preso desde há um ano e dez meses, foi condenado por instigação pública, formação de quadrilha, danos à propriedade e incêndio pelos episódios violentos ocorridos ao término de uma manifestação a qual convocou em 12 de fevereiro de 2014 e que teve saldo de três mortes.

Naquele dia começou na Venezuela, dentro de uma estratégia que López e seu partido, Vontade Popular (VP), chamaram “A Saída”, uma onda de protestos antigovernamentais com barricadas populares que estiveram ativos ao longo do primeiro semestre do ano passado.

O balanço oficial dos quatro meses de protestos foi de 43 mortes, entre ativistas favoráveis e opositores ao governo do presidente Nicolás Maduro, agentes de forças de segurança e transeuntes, em sua maioria baleados.

López é eleitor de uma área de Caracas onde concorre o coordenador nacional do VP, Freddy Guevara, que o substituiu na condução da organização desde que o líder opositor se entregou à Justiça no dia 18 de fevereiro de 2014.

Os venezuelanos elegem hoje os 167 deputados da Assembleia Nacional, o parlamento do país. Atualmente, cerca de cem integrantes é ligada ao governo de Maduro.