Prisão de jornalista da “Al Jazeera” em Berlim gera críticas contra Alemanha
Berlim, 21 jun (EFE).- A prisão do jornalista da emissora catariana “Al Jazeera” Ahmet Mansur no aeroporto de Berlim gerou neste domingo críticas contra as autoridades da Alemanha, acusadas de conivência na repressão à imprensa promovida pelo governo do Egito.
A promotoria de Berlim afirmou hoje que está “revisando” a ordem de prisão internacional que, segundo fontes policiais, resultaram na noite de ontem na detenção de Mansur, que pretendia embarcar para um voo com destino a Doha.
O jornalista, de 52 anos e um dos rostos mais conhecidos da “Al Jazeera”, segue desde então sob tutela policial, à espera que a promotoria tome uma decisão sobre o assunto amanhã.
O advogado alemão do jornalista, Fazli Altin, negou a versão da polícia de Berlim sobre a ordem de prisão, com o argumento de que a própria Interpol desprezou em outubro de 2014 a ordem emitida pelas autoridades egípcias.
A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) criticou a prisão, em comunicado que questionava se a Alemanha está atuando como “cúmplice” de um regime autoritário.
A “Al Jazeera” pediu a libertação do jornalista através de seu site, acrescentando na mensagem um vídeo de Mansur sendo preso no aeroporto de Berlim.
A ação contra Mansur ocorreu duas semanas depois da visita à capital alemã do presidente do Egito, Abdul Fatah al Sisi, lembraram hoje representantes da oposição da chanceler Angela Merkel.
“A repressão contra jornalistas por parte das autoridades egípcias é bem conhecia. Outros países não devem ser instrumentos dessa opressão, menos ainda aqueles que respeitam a liberdade de imprensa, como a Alemanha”, ressaltou na nota o diretor-geral da “Al Jazeera”, Mostafa Suag.
Mansur pretendia voltar a Doha após entrevistar o especialista alemão Guido Steinberg, comentarista habitual na imprensa germânica para assuntos relacionados com o mundo árabe.
As autoridades egípcias têm perseguido e condenado à prisão vários jornalistas da “Al Jazeera”, emissora acusada de colaborar com representantes da Irmandade Muçulmana.
A “Al Jazeera” foi proibida no Egito também por causa da tensa relação entre Doha e Cairo, já que o Catar foi um dos principais apoiadores da derrubada do presidente islamita Mohammed Mursi.
Três jornalistas da emissora foram presos em dezembro de 2013 no Egito, sentenciados a penas entre sete e dez anos de prisão. Neste ano, no entanto, o australiano Peter Greste foi deportado e os outros dois colocados em liberdade após a ordem de repetição do julgamento. EFE
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