Processo de paz para Síria flerta com fracasso e tira dias para reflexão

  • Por Agencia EFE
  • 15/02/2014 16h42

Genebra, 15 fev (EFE).- O processo de paz para a Síria está à beira do fracasso, sem ter conseguido o mínimo avanço em uma semana de negociações, por isso as delegações do governo e da oposição tirarão um tempo de reflexão para decidir se realizam uma nova rodada de conversas.

A segunda rodada de negociação terminou neste sábado sem que se tenha convocado uma data para uma terceira reunião, que em princípio aconteceria após uma semana de pausa, um objetivo que demonstrou ser ambicioso demais diante da estagnação em que se encontram as conversas.

“Acho que é melhor que cada parte volte para suas casas, reflita e assuma sua responsabilidade se quer continuar com o processo ou não. Eu farei o mesmo”, afirmou o mediador Lakhdar Brahimi, visivelmente pessimista sobre o rumo das negociações.

O único sinal de avanço em seis dias foi o sinal verde dado pelas partes à agenda de temas que propôs Brahimi para esta rodada, que ficará agora para uma eventual próxima reunião.

Esse plano de trabalho consta de quatro pontos: fim da violência, criação de um órgão de governo transitório, manutenção das instituições e reconciliação nacional.

O diálogo ficou estagnado exatamente porque o regime de Bashar al Assad exige que seja colocado um fim no terrorismo e na violência antes de abordar outras questões, enquanto as pretensões da oposição se centram na transição política.

Para sair deste impasse, Brahimi sugeriu hoje que as partes dediquem o primeiro dia de uma hipotética terceira ronda para falar do fim da violência e do combate ao terrorismo, e o segundo a debater o órgão de governo transitório.

Esta ideia, aceita pela oposição, que a vê como uma oportunidade para começar o assunto político, foi rejeitado pela delegação governamental, algo que, segundo o mediador, “alimenta as suspeitas da oposição de que o governo não quer tratar em absoluto a questão desse órgão de transição”.

“Nesse caso, disse que não é bom nem para o processo, nem para os sírios que retornemos a outra rodada e caiamos na mesma armadilha que esta, como na maior parte da primeira”, explicou o mediador, um tanto abatido.

Diante da recusa do regime de abordar uma mudança política, o porta-voz da oposição, Louay Safi, advertiu hoje que não voltarão a uma nova reunião em Genebra a menos que obtenham garantias que será colocado na mesa a formação de um governo interino que substitua o atual, liderado por Assad.

A delegação do governo, mais afeita aos jogos retóricos, dava a volta à situação e se isentava de sua parte de culpa na obstrução do processo, ao jogar a responsabilidade nos outros.

“Nós não apresentamos nenhuma condição para voltar a uma terceira rodada”, declarou o chefe negociador do regime, Bashar al Jaafari, em um ataque velado à oposição.

Al Jaafari, acostumado a vender ao exterior a cara amável do regime em seu posto de embaixador na ONU em Nova York, reiterou a vontade de retornar à mesa de negociação “para servir ao povo sírio e acabar com o massacre de civis e com o terrorismo”.

A dialética de confronto entre as partes e o tom mais desesperançoso percebido hoje em um perseverante e paciente Brahimi são reflexo de que a continuidade do processo de paz está numa perigosa e nebulosa zona. EFE

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