Protesto contra nova divisão territorial deixa 8 mortos no Nepal

  • Por Agencia EFE
  • 24/08/2015 14h20

Katmandu, 24 ago (EFE).- Pelo menos oito pessoas, cinco delas membros da polícia, morreram nesta segunda-feira em enfrentamentos entre manifestantes e forças de segurança na região do Madhesh, no sul do Nepal, em um protesto que reuniu milhares contra a divisão territorial prevista para o país, disse o ministério do interior do Nepal à Agência Efe.

Dois oito mortos, três eram agentes da polícia do Nepal e dois da polícia Marinha, e “os outros três corpos ainda não foram identificados”, disse Laxmi Prasad Dhakal, porta-voz do Ministério do Interior.

Segundo ele, as informações que elevam o número de mortos a 21 não estão confirmadas.

O chefe da administração local, Raj Kumar Shrestha, afirmou que os confrontos começaram quando a polícia tentou impedir que os manifestantes acessassem uma área restrita, quando protestavam pela não inclusão dos distritos de Kailali e Kanchanpur como província autônoma entre as seis previstas na nova Constituição do Nepal.

O Ministério do Interior ordenou o desdobramento de forças do exército no distrito de Kailali, onde “mais de 10 mil manifestantes começaram a marchar para rumo à área protegida e o enfrentamento explodiu depois de a polícia tentar controlar a situação”, declarou Shrestha.

Os distritos de Sarlahi e Rautahat também registraram protestos violentos contra a polícia.

O Comitê para a Luta Unitária de Tharuhat convocou nos últimos 15 dias protestos em Kailali para reivindicar sua inclusão dentro de uma província autônoma junto com o distrito de Kanchanpur, dentro da futura estrutura federal prevista para o país.

Em meados de junho, após o terremoto que deixou quase nove mil mortos, os partidos majoritários concordaram em avançar rumo a uma Constituição, tarefa pendente no país desde que em 2008 acabou o regime monárquico.

Esse consenso foi alcançado mediante um texto de 16 pontos que, no entanto, a Corte Suprema do Nepal paralisou dias depois por considerá-lo contrário à Constituição provisória.

Apesar da decisão judicial, os partidos continuara a avançar no processo constituinte. EFE