Protesto de caminhoneiros paralisa produção de leite em Santa Catarina, que responde a 30% do País

  • Por Jovem Pan
  • 24/02/2015 09h30

O protesto de caminhoneiros que paralisa estradas brasileiras nesta terça e já chegou a atingir rodovias de nove estados brasileiros afeta diretamente a produção e distribuição de laticínios em Santa Catarina, estado do Sul responsável por 30% da produção de leite do Brasil, com mais de 20 empresas na área.

De 30 mil a 40 mil famílias de pequenos produtores rurais interromperam a coleta de leite ou estão estocando o produto. A coleta dessas milhares de famílias está suspensa “desde ontem (segunda, 23) à tarde”, relata o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Santa Catarina, Valter Brandalise, em entrevista a Danillo Oliveira, na Jovem Pan.

As perdas para cada dia de paralisação são de R$ 11 milhões a R$ 12 milhões.

Os caminhões “não conseguem chegar com o leite nas indústrias nem na propriedades em função dos bloqueios”, conta Brandalise. “O produto final fica estocado nas indústrias porque não tem vazão para o mercado, não tem para onde passar”, lamenta também.

Em nota à imprensa, a companhia de produtos alimentícios BRF informou que suas fábricas de Fancisco Beltrão e Dois Vizinhos, localizadas no Paraná, interromperam a produção de aves por falta de matéria-prima. 

A paralisação

Motoristas se queixam do baixo preço do frete e do alto custo com impostos e combustíveis. Enquanto isso, as indústrias começam a ser afetadas e tendem a interromper a produção pela falta de matéria prima.

Na noite desta segunda, a AGU pediu à Justiça Federal intervenção para o desbloqueio das estradas, que contaria com a Polícia Rodoviária Federal e até a Força Nacional. As ações foram ajuizadas simultaneamente nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

De madrugada, houve um bloqueio na Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo e Rio de Janeiro. Mais de 600 caminhões estão participando do movimento.

Postos de combustíveis de Mato Grosso já enfrentam o desabastecimento.

O slogan do Sindicato dos Caminhoneiros diz que “sem caminhões, o Brasil não anda”.