#ProtestosBR: Pesquisadores apresentam dados sobre manifestações de rua e internet

  • Por Agencia Brasil
  • 26/01/2014 10h48

Porto Alegre – Uma análise das manifestações que tomaram as ruas em junho de 2013 passa obrigatoriamente por uma análise fora delas, na internet, dentro das redes sociais, onde esses protestos foram articulados e divulgados por computadores e smartphones.  O resultado de alguns desses estudos foram apresentados no último sábado (25), no debate Tecnopolítica dos #ProtestosBR e um Enfoque Global, no Conexões Globais 2014.

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Tiago Pimentel, diretor da InterAgentes Comunicação Digital, demonstrou que nos primeiros protestos no mês de junho em São Paulo, o Movimento Passe Livre (MPL) e o Jornal Estado de São Paulo (Estadão) foram os perfis mais compartilhados nas redes. Mas se no início esses perfis eram referência, no ápice dos protestos, no dia 20 de junho,  eles não tinham relevância no monitoramento das redes, afirmou Pimentel. “A diversidade de fontes cria centros que emergem a partir a partir do próprio curso dos movimentos”, completou.

Identificamos o crescimento de perfis que seguem um padrão de auto-organização simples, afirmou o jornalista e mídia-ativista espanhol, Bernardo Gutiérrez. Uma boa parte dos mobilizadores foram e ainda são identidades coletivas nas redes como o #VemPraRua e #SomosAmarildo, disse Bernardo que participou do movimento 15M, na Espanha.

Laboratório de Pesquisa sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo já começa a monitorar as imagens postadas nas redes sociais. Toda imagem compartilhada possui um ponto de vista dos grupos nas redes, disse Fábio Malini, coordenador do Labic.
De acordo com Malini, a imagem mais viralizada foi um frame (quadro) de um vídeo em que uma brasileira explica o significado do gigante acordou.

Mídia e protestos

A professora Raquel Recuero apresentou dados da pesquisa sobre a cobertura da mídia nas manifestações de junho. Foram analisados 2 milhões de tweets, de 268 protestos pelo Brasil. A pesquisa aponta que o termo mais utilizado pelos meios de comunicação no período foi “violência”.

Os tweets da imprensa eram bem diferentes dos postados pelos manifestantes. A narrativa das pessoas que participaram dos protestos incluíam termos como “orgulho”, “protestos”, “cuidado” e “lindo”. Segundo a pesqusisadora, a palavra “lindo” apareceu nos tweets de todas as regiões brasileiras e foi a  mais citada.

*A EBC é uma das apoiadoras oficiais da 3ª edição do Conexões Globais 2014