Putin “provavelmente” aprovou morte de ex-espião, diz investigação britânica

  • Por Agência Estado
  • 21/01/2016 11h48
Vladimir Putin

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, “provavelmente” aprovou o envenenamento do ex-espião da KGB Alexander Litvinenko em um hotel de Londres, concluiu um relatório britânico divulgado nesta quinta-feira. Um crítico do governo russo que se tornou cidadão britânico, Litvinenko morreu em 2006, após beber um chá que continha polônio radioativo. Ele morreu seis semanas depois, de uma síndrome aguda causada pela radiação.

O relatório desta quinta-feira, redigido pelo juiz aposentado Robert Owen, afirma que Litvinenko provavelmente foi assassinado por ordem do serviço de inteligência russo, o FSB, com conhecimento direto e aprovação de Putin e de Nikolai Patrushev, então diretor do FSB – órgão que sucedeu a KGB no país.

Litvinenko, um ex-agente do FSB (sucessor da KGB), fugiu para o Reino Unido em 2000 e tornou-se um crítico dos serviços de segurança russos comandados por Putin. Ele havia acusado o presidente de ter vínculos com o crime organizado.

“Levando em conta toda a evidência e a análise disponível para mim, eu concluo que a operação do FSB para matar o Sr. Litvinenko foi provavelmente aprovada pelo Sr. Patrushev e também pelo presidente Putin”, afirmou Owen nos capítulos finais do relatório de 327 páginas.

A aguardada investigação oferece o relato mais abrangente até agora sobre como Litvinenko morreu. As conclusões do texto, porém, podem prejudicar os já frágeis laços entre Moscou e Londres.

As relações entre os governos ocidentais e Moscou, prejudicadas pela queda do avião da Malaysia Airlines e pela intervenção russa na Ucrânia, devem ser testadas novamente, mesmo com diplomatas britânicos tentando conseguir a cooperação de Putin em relação à crise na Síria.

Reação russa

Moscou negou envolvimento na morte e uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zhakarova, disse que o governo russo não considera nem objetivas nem imparciais as conclusões do magistrado aposentado britânico Robert Owen.

“Nós lamentamos que um caso puramente criminal tenha sido politizado e ofuscado a atmosfera geral das relações bilaterais”, afirmou Zhakarova em comunicado. Ela disse que a decisão do Reino Unido de realizar uma investigação pública teve motivação política e declarou que o processo de investigação em si não foi transparente.

Viúva e Grã-Bretanha

A viúva do ex-espião, Marina Litvinenko, disse que estava muito feliz com o fato de que o que o marido dela falou no leito de morte foi “provado por um tribunal inglês”. Também pediu ações mais duras, entre elas que o primeiro-ministro David Cameron expulse agentes russos do setor de inteligência, imponha sanções econômicas e proíba que Putin e outras autoridades viajem para o país. O advogado de Marina, Ben Emmerson, qualificou o caso como “um miniato de terrorismo nuclear nas ruas de Londres”.

Marina Litvinenko, viúva de Alexander Litvinenko, faz declaralçaoi em frente ao Tribunal Superior de Londres (EFE/Facundo Arrizabalaga)

A secretária de Interior britânica, Theresa May, disse que o envolvimento do Estado russo foi uma violação da lei internacional e “de um comportamento civilizado”, mas não uma surpresa. Ela anunciou o congelamento de ativos dos suspeitos Andrei Lugovoi, ex-guarda-costas da KGB, e Dmitry Kovtun, ex-integrante do Exército soviético. A Rússia se recusa a extraditar os dois suspeitos.

Lugovoi é atualmente membro do Parlamento russo, o que significa que não pode ser processado em seu país. Hoje, ele qualificou a investigação britânica como um “espetáculo”.

O magistrado britânico afirmou que não há dúvidas de que Litvinenko foi envenenado por Lugovoi e Kovtun no bar do hotel Millennium, em Londres, em 1º de novembro de 2006.

Fontes: Dow Jones Newswires e Associated Press/Por Agência Estado