Putin reabilita os tártaros da Crimeia, que sofreram represálias de Stalin

  • Por Agencia EFE
  • 21/04/2014 12h05

Moscou, 21 abr (EFE).- O presidente russo, Vladimir Putin, decretou nesta segunda-feira a reabilitação dos tártaros da Crimeia que foram deportados por Stalin nos anos 40 por sua suposta colaboração com a Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

“Assinei um decreto para a reabilitação dos tártaros da Crimeia (…) que sofreram durante as repressões stalinistas”, anunciou hoje Putin, citado pelas agências locais.

A reabilitação também afeta as minorias armênia, alemã e grega, que vivem há séculos na península anexada em março por Moscou.

Putin teria prometido que estudaria a reabilitação da minoria tártara da Crimeia, que representa 12% da população (cerca de 300 mil pessoas), a pedido do presidente da república russa da Tartária, Rustam Minnijanov.

Em abril passado, durante uma reunião no Kremlin, Minnijanov propôs aplicar a essa minoria muçulmana da Crimeia a Lei Sobre a Reabilitação dos Povos Vítimas de Represália aprovada em 26 de abril de 1991 pelo Conselho Supremo da União Soviética.

Além disso, destacou a importância de legalizar as terras onde vivem muitos tártaros, acusados pela maioria russa da Crimeia de se apropriar desses terrenos sem autorização em seu retorno à península após a queda da URSS e mais de meio século de deportação.

No final de março, o Kurultai (assembleia popular tártara) aprovou uma resolução sobre “a execução do direito à autodeterminação do povo tártaro em seu território histórico, a Crimeia”, e pediram à ONU, à União Europeia, à OSCE e ao Conselho Europeu que apoiassem a iniciativa.

Os tártaros da Crimeia, que se consideram um povo diferente os tártaros que vivem em Tartária, rejeitaram todas as ofertas das autoridades da Crimeia, que os acusam de manter bandeira da Ucrânia içada no Mejlis (Assembleia Popular) de Simferopol, capital peninsular.

O governo crimeano lhes ofereceu até um 20% dos cargos de autoridade na república, a oficialidade da língua tártaro-crimeana e um financiamento maior de programas culturais e educativos.

Os tártaros, que defenderam sempre a integridade territorial da Ucrânia, boicotaram o referendo separatista de 16 de março, que seus líderes tacharam de “farsa”; e se negaram a reconhecer os resultados.

Principais habitantes da Crimeia até o império russo conquistar o território no século XVIII, os tártaros guardam péssimas lembranças dos russos, já que desde então foram vítimas de repressão, fome e exílio forçado.

Devido à deportação stalinista, os tártaros passaram 50 anos longe da Crimeia, à qual só puderam voltar depois do fim da União Soviética. EFE