Queda do estoque da DPF em abril já era esperada, diz coordenador do Tesouro

  • Por Estadão Conteúdo
  • 27/05/2016 11h19
Cédulas de dinheiro. Foto: Marcos Santos/USP ImagensEconomia - Fotos Públicas

O coordenador-geral de operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Leandro Secunho, avaliou, na manhã desta sexta-feira (27), que o resgate líquido de R$ 108,60 bilhões em abril já era “amplamente” esperado devido ao grande vencimento de papéis programado para o primeiro dia do mês. Durante o período, as emissões de títulos somaram R$ 52,72 bilhões, enquanto os resgates chegaram a R$ 161,33 bilhões.

Essa foi a principal razão para o primeiro recuo do estoque da Dívida Pública Federal (DPF) desde janeiro. Em abril, esse total caiu 3,01%, para R$ 2,799 trilhões. “A queda no estoque ocorreu em função do grande vencimento de LTNs no primeiro dia daquele mês”, comentou.

Já a redução de 2,70% no estoque Dívida Pública Federal externa (DFPe) ocorreu devido à variação do real em relação a outras moedas. “Não houve uma movimentação significativa de títulos da dívida externa em abril”, afirmou. 

Com a queda da DPF em abril, o estoque ficou ainda mais distante do intervalo previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2016, que vai de R$ 3,1 trilhões a R$ 3,3 trilhões. “Temos emissões programadas para os próximos meses. E com expectativa de novas apropriações de juros, esperamos encerrar o exercício no intervalo”, acrescentou Secunho.

O coordenador avaliou ser positivo o fato de, pela primeira vez na história, a categoria “previdência” ser a maior detentora de títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi). Em abril, a participação dos fundos de previdência na carteira subiu de 22,62% para 24,14%, chegando aos R$ 644,53 bilhões.

“Houve uma compra líquida de R$ 22 bilhões no mês passado pelos fundos de previdência. Eles têm comprado mais títulos e são investidores com horizonte de mais longo prazo”, ressaltou, ponderando que 77,4% dos papéis detidos por esse grupo têm prazos de mais de 3 anos.

O coordenador comentou ainda que a participação de estrangeiros na carteira voltou a subir e isso já era expectável. A participação dos investidores não-residentes no Brasil no estoque da DPMFi subiu de 16,73% em março para 17,39% em abril, somando R$ 464,29 bilhões.

Emissão externa

Leandro Secunho analisou também que o Tesouro Nacional continua monitorando o mercado e possivelmente fará uma nova emissão externa ainda este ano. Ele não indicou, no entanto, se a operação ocorrerá no primeiro ou no segundo semestre. 

O analista ressaltou que a emissão externa de março foi bem-sucedida. “Continuamos monitorando o mercado. Já temos 70% dos dólares comprados para fazer frente aos vencimentos de dívida externa nos próximos 12 meses. Não há necessidade em termos de caixa, mas é importante que o Tesouro se mantenha ativo no mercado externo”, avaliou.

Segundo suas perspectivas, o cenário de mercado tem sido positivo para as emissões de títulos públicos ao longo do primeiro semestre. “Hoje temos taxas menores que as do fim de 2015. Temos conseguido fazer leilões grandes e positivos com títulos de mais longo prazo”.

Para maio, a expectativa de Secunho é de que o mês termine com emissões líquidas. “Não há dificuldade para venda de títulos, os volumes são elevados, principalmente de prefixados”.

Questionado sobre projeções para a dívida pública para os próximos quatro anos, Secunho afirmou que as medidas anunciadas na última semana pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, terão impacto relevante e ainda não foram anunciadas totalmente. “Foram anunciadas algumas medidas e elas têm impacto relevante, fazem parte de um pacote de medidas que ainda não foi completamente anunciado, não há, então, uma projeção para a dívida até 2020. Os cálculos serão refeitos e teremos novos números para trajetória”, finaliza.