Rainha Letizia: é inaceitável jogar comida fora enquanto milhões passam fome

  • Por Agencia EFE
  • 12/06/2015 09h45

Roma, 12 jun (EFE).- A rainha Letizia qualificou nesta sexta-feira de “inaceitável” um mundo “no qual a cada dia atiramos comida, enquanto 800 milhões de pessoas passam fome”, em seu discurso após receber a nomeação como embaixadora da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a nutrição.

A rainha recebeu hoje na FAO, com sede em Roma, esta nomeação e assegurou que seu empenho será “servir aos objetivos desta agência das Nações Unidas do modo mais eficaz possível”.

Em seu discurso, a rainha também considerou que foram feitos progressos na luta para acabar com a fome, mas pediu para continuar, pois não se trata só de “um problema de recursos, ou de distribuição”.

“A esta altura do século temos a capacidade técnica para produzir alimentos saudáveis e suficientes para todos”, acrescentou.

“Obrigada, de coração, por me considerar credora desta honra (…). A nutrição e na realidade tudo o que envolve essa questão, tem um papel muito destacado pelo fato de como afeta a saúde e o bem-estar das pessoas”, afirmou.

Para a rainha é preciso “seguir avançando no desafio que representa melhorar esse número aterrorizador de pessoas que padecem de fome”.

“Onde devemos ficar é em mobilizar vontades” e para isso “é preciso esforço de todos”, desde os “governos, mas também do setor privado, da sociedade civil e, definitivamente, de cada indivíduo”.

Letizia lembrou seu discurso em novembro perante este mesmo organismo quando falou “do quão importante que é enfrentar o desafio da desnutrição em todas suas formas como um investimento sempre rentável, como a melhor forma de prevenir e de melhorar, portanto, a vida das pessoas”.

A rainha abordou, além disso, “o paradoxo contemporâneo” que “enquanto milhões de pessoas não têm o que comer, mais de 1 bilhão comem mal e em excesso, o que significa que sofrem com sobrepeso e obesidade, doenças ambas que frequentemente são vinculadas a patologias cardiovasculares e metabólicas”.

Na luta contra a fome, a rainha destacou dois pontos que considerou capitais: o papel da mulher e da indústria agroalimentar mundial.

Como já explicou durante a Conferência sobre Nutrição de novembro, “uma mulher com acesso ao conhecimento, e pensem na magnitude do que isto significa quando me refiro a cada mulher de cada país nos diferentes modelos sociais que existem, é a melhor garantia de que uma comunidade pode melhorar”.

E lembrou “o quão essencial é a alimentação da mãe gestante e lactante, e a do filho em seus primeiros anos de vida”.

Com relação à indústria agroalimentar, Letizia apontou a importância de colaborar “de forma ativa e responsável na tomada de consciência geral para levar uma vida saudável e, portanto, livre de doenças”.

Letizia ressaltou o importante papel da pesquisa científica, para apresentar “melhoras nas práticas de consumo e fabricação na rede alimentícia”.

“Seria, além disso, desejável capitalizar os avanços que já existem na investigação do genoma para conseguir uma medicina preventiva, precisa, personalizada e, portanto, eficaz”, acrescentou.

Letizia explicou como a Espanha está comprometida “de forma muito ativa” com todos os objetivos da FAO, tanto pelas diferentes políticas realizadas desde o Ministério da Agricultura e Alimentação e em política externa com as ferramentas da Agência Espanhola de Cooperação Internacional.

A rainha concluiu afirmando que o dever de todos é “contribuir, cada um desde seu âmbito de responsabilidade, para que esta realidade mude”.

“Contem comigo para isso como embaixadora especial da FAO para a Nutrição”, concluiu. EFE

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