Rebaixamento da nota brasileira já era algo esperado, diz ex-presidente do BC

  • Por Jovem Pan
  • 16/12/2015 15h42
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 29-04-2013: O ex-presidente do Banco do Brasil, Gustavo Loyola, durante a pré-estreia do documentário "O Brasil Deu Certo. E Agora?", idealizado pelo ex-ministro Maílson da Nóbrega, realizado no Espaço Itaú Frei Caneca, em São Paulo (SP) (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)Gustavo Loyola

A agência de classificação de risco Fitch retirou nesta quarta (16), o grau de investimento do Brasil. O rating brasileiro passou de BBB- para BB+, com perspectiva negativa.

Em entrevista à Jovem Pan, o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, afirmou que o rebaixamento não foi uma surpresa e já era algo esperado. “Isso significa que muitos investidores terão limitação para investir em títulos brasileiros. Ou seja, um volume menor de recursos para o País”, destacou.

No mercado financeiro, alguns crêem que uma mudança na perspectiva política, como um impeachment da presidente Dilma, por exemplo, possa trazer alguma melhora no quesito fiscal. No entanto, Loyola ressaltou que a situação é de pessimismo e o Governo não possui capacidade de encaminhar um ajuste fiscal neste momento.

Mudanças no Ministério da Fazenda

Nesta terça-feira (15), o Governo reduziu a meta de superávit das contas para o ano que vem para cerca de 0,5% do PIB, o que vai contra o que o ministro Levy defendia – de 0,7%. Para o ex-presidente do BC, “a decisão pela redução foi equivalente a uma demissão do Levy”.

Segundo ele, a presidente Dilma não julgou importante manter o ministro da Fazenda, que provavelmente deixará o cargo em 2016. “Eu acho que o mercado espera um novo ministro da Fazenda. Mas ele não vai fazer melhor que o Joaquim Levy. Ele pode fazer igual, mas o que se espera é que faça pior”, declarou.

Sobre uma possível troca por Henrique Meirelles, que chegou a ser comentada nos bastidores há alguns meses, Gustavo Loyola ressaltou que a “troca de Levy sinaliza que temos a perspectiva de uma guinada mais para a esquerda, para o desenvolvimentismo”.

Nota do Ministério da Fazenda

Em nota, a pasta reiterou a confiança na capacidade da economia brasileira de retomar o ciclo de crescimento. “Apesar dos indicadores de curto prazo e da incerteza atual, a economia brasileira tem fundamentos positivos e sólidos”, diz o texto.

O ex-presidente do BC, no entanto, afirmou que este é um comunicado “bastante difícil de acreditar” e que “não tem credibilidade nenhuma”. Ele destacou as vitórias do ministro Levy que, “representaram um grão de areia em uma situação difícil e mais complexa”.