Rebeldes não comparecem às negociações de paz do Sudão do Sul

  • Por Agencia EFE
  • 06/08/2014 06h44

Nairóbi, 6 ago (EFE).- Os rebeldes do Sudão do Sul não compareceram à rodada de negociações com o governo nesta terça-feira em Adis Abeba, a capital etíope, para buscar uma solução para o conflito no país, informou a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad, sigla em inglês), o bloco de países do leste da África que é o mediador da crise.

“Em 5 de agosto de 2014, o Movimento de Libertação Popular do Sudão (SPLM, na oposição) não compareceu ao processo de paz do Sudão”, informou a Igad em comunicado emitido na noite de terça.

Os mediadores exigiram que os rebeldes “cumpram com seu compromisso de buscar uma solução para a crise”, e esperam que “retornem imediatamente e participem de forma plena nas negociações multilaterais, que continuarão no dia 6 de agosto (quarta-feira) de 2014”, diz a nota.

A Igad também pediu que comunidade internacional exigisse que os rebeldes retornassem às negociações “o mais rápido possível”.

As conversas foram retomadas na segunda-feira em Adis Abeba, a poucos dias da data limite estipulada em junho pelo governo e os rebeldes para a formação de um Executivo de transição de união nacional.

No último dia 10, o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, e o líder rebelde, Riek Machar, acordaram a formação de um governo de transição de união nacional no prazo de 60 dias, após o cessar-fogo alcançado um mês antes, que acabou violado.

As conversas entre o governo e os rebeldes que aconteceram duas semanas mais tarde fracassaram depois que a oposição se recusou a negociar com partidos políticos e outros representantes sociais.

Um representante dos rebeldes garantiu na segunda-feira que seu objetivo é manter conversas diretas com o governo do Sudão para conseguir um acordo de paz “conclusivo”, que contemple um sistema federal de governo.

Os insurgentes também manifestaram seu mal-estar com a presença de tropas de Uganda, país membro da Igad, que apoiam o governo do Sudão do Sul.

Por outro lado, o principal negociador do governo, Nhial Deng Nhia, afirmou que a falta de consequências para os rebeldes por parte da comunidade internacional permitiu que o SPLM intensificasse suas operações militares no Sudão do Sul, o que vai contra os princípios estipulados em junho.

As negociações de paz foram retomadas em meio aos recentes alertas da ONU de uma crise de fome iminente no Sudão do Sul, que já conta com 1,3 milhões de pessoas em nível de insegurança alimentar aguda devido ao conflito armado.

O conflito político que começou em dezembro do ano passado no Sudão do Sul entre Kiir, de etnia dinka, e Machar, dos nueres e deposto um ano antes, rapidamente derivou em um conflito étnico entre comunidades que se atacaram nos últimos meses.

As acusações de Kiir contra Machar, a quem atribuiu uma tentativa de golpe, desembocaram em conflitos que causaram milhares de mortos e colocaram o jovem país à beira da guerra civil. O Sudão do Sul se separou do Sudão em julho de 2011. EFE