Rei da Jordânia critica provocações de Israel na Esplanada das Mesquitas

  • Por Agencia EFE
  • 20/09/2015 17h21

Amã, 20 set (EFE).- O rei Abdullah II da Jordânia alertou Israel neste domingo que as “práticas provocadoras” do país em Jerusalém Oriental podem causar uma “guerra religiosa” no Oriente Médio, informou a Corte Real em comunicado.

Na nota, o monarca criticou as recentes incursões das forças de segurança israelenses na Esplanada das Mesquitas de Jerusalém. Segundo o rei, o local da Esplanada – conhecido em árabe como “Haram Al-Sherif” (o nobre lugar) – é “indivisível”, por isso, rejeitou as tentativas de Israel em reparti-lo.

O comunicado informa que Abdullah II fez essas declarações durante uma reunião realizada hoje no Palácio Real, diante de uma delegação que incluía vários deputados árabes do parlamento de Israel, grupo que visitou Amã para acompanhar a escalada de violência na Esplanada das Mesquitas nos últimos dias.

“A continuação do comportamento provocador de Israel em Jerusalém e as tentativas dos judeus de transformarem os lugares sagrados que lá estão terão perigosas repercussões na região e avivarão um conflito religioso de consequências imprevisíveis”, acrescentou.

O monarca assinalou também que a Jordânia “continuará enfrentando as violações de Israel e defendendo Jerusalém Oriental na implementação de seu dever religioso, assim como a custódia jordaniana dos locais sagrados muçulmanos e cristãos”.

No tratado de paz assinado com a Jordânia em 1994, Israel reconheceu essa custódia após ter assumido o controle da região durante a Guerra dos Seis Dias de 1967.

Cerca de 50 deputados jordanianos pediram hoje ao governo do país para expulsar o embaixador de Israel de Amã e a revisar o tratado de paz de 1994, em protesto pelo aumento da violência em Jerusalém e na Cisjordânia.

A tensão na região se intensificou há uma semana, na véspera da realização do ano novo judaico. Durante três dias consecutivos, as forças israelenses entraram na Esplanada das Mesquitas de Jerusalém.

Os confrontos mais sérios ocorreram na última sexta-feira, onde as autoridades limitaram os acessos à Al-Aqsa, terceiro lugar sagrado mais importante para os muçulmanos, aos bairros palestinos de Jerusalém e dezenas de localidades da Cisjordânia. EFE