Reino Unido quer definir metas de relação pós-Brexit em breve, diz Hammond

  • Por Estadão Conteúdo
  • 14/07/2016 08h26
Philip Hammond

O recém-nomeado ministro de Finanças do Reino Unido, Philip Hammond, disse, nesta quinta-feira (14), que o país será ágil em definir amplas metas para sua relação com a União Europeia após o chamado “Brexit”, ao admitir que o resultado do plebiscito do mês passado abalou a confiança e desestimulou investimentos. Em 23 de junho passado, a maioria do eleitorado britânico votou pelo rompimento do Reino Unido com a UE.

Em entrevista à BBC, Hammond afirmou que dissipar as incertezas que cercam o futuro da economia britânica será uma tarefa crucial nos próximos meses se o Reino Unido quiser assegurar os níveis de investimento necessários para impulsionar o crescimento e a geração de empregos.

Segundo Hammond, o governo vai procurar tranquilizar empresas e famílias sobre o futuro da relação do Reino Unido com Bruxelas estabelecendo amplos objetivos com seus parceiros europeus antes de chegar a um acordo mais detalhado, que, na visão do gestor, poderá exigir anos de negociações. “a questão mais importante não é quanto tempo irá demorar para ratificar o tratado detalhado, mas sim quanto tempo demoraremos para definir os principais termos do acordo e eu espero que possamos fazer isso o mais cedo possível”.

O político ressaltou que uma das principais metas é garantir a continuidade do acesso dos serviços financeiros do Reino Unido ao mercado único da União Europeia, já que o centro financeiro de Londres é “altamente resistente” a adversidades e importante não apenas para a economia britânica, mas para a Europa como um todo. Os negócios do bloco serão “imensuravelmente mais fracos” se o acesso aos mercados de capitais de Londres se perder.

O ministro também referiu que não tem planos de adotar um orçamento emergencial, reconhecendo que o déficit fiscal precisa ser eliminado, mas notou que ainda precisa avaliar “como, quando e em que ritmo” isso poderá ser atingido.

Hammond disse ainda que pretende elaborar planos de gastos e impostos detalhados mais para o final do ano e que irá se reunir, ainda nesta quinta, com o presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Mark Carney, para discutir a economia.

O BoE vai anunciar uma decisão de política monetária, no começo da manhã, e a expectativa é que a instituição tome novas medidas de estímulos, que poderão incluir corte de juros e ampliação de compra de ativos.