Relatora especial da ONU denuncia dificuldades durante visita a Mianmar

  • Por Agencia EFE
  • 08/08/2015 07h38

Bangcoc, 8 ago (EFE).- A relatora especial da ONU para os direitos humanos em Mianmar, Yanghee Lee, denunciou ter sofrido restrições durante a visita de cinco dias que fez esta semana ao país asiático, informou neste sábado a imprensa local.

As autoridades birmanesas lhe impediram de visitar o estado de Rakhine, lhe negaram a estadia de dez dias que tinha pedido e lhe aconselharam que não falasse em público dos rohinyá, detalhou Lee em entrevista coletiva ontem em Yangun ao finalizar sua visita.

“Isto, infelizmente, dificulta minha habilidade para cumprir meu mandato”, destacou a sul-coreana Lee, segundo o portal de notícias birmanês “Irrawaddy”.

A relatora assinalou que compreende a “complexidade da situação de Mianmar e o processo de reformas”, mas ao mesmo tempo não pode “esquecer seu dever de apontar as graves violações dos direitos humanos e fazer recomendações construtivas”.

Após quase meio século de ditadura militar em Mianmar, um governo civil ligado ao regime anterior começou em 2011 um processo de reformas políticas, econômicas e sociais e de reconciliação com as minorias étnicas.

Lee deve apresentar em outubro um relatório à ONU que, segundo disse, incluirá a situação da minoria muçulmana rohinyá, da qual mais de 100.000 vivem em acampamentos em Rakhine desde 2002, e outros abusos, como detenções “arbitrárias” de estudantes e um aumento da vigilância dos ativistas.

A sul-coreana indicou que há um “desequilíbrio” em Mianmar na aplicação da lei que ampara a liberdade de expressão e assembleia pública.

A visita desta semana foi a terceira que a relatora especial fez a Mianmar. Na anterior, em janeiro, ela conseguiu entrar em Rakhine, mas foi recebida com protestos de budistas que acusaram as Nações Unidas de apoiar os rohinyá.

Semanas depois, o monge Wirathu, um dos que mais atiçou os budistas contra os rohinyá, xingou Lee publicamente.

Wirathu comanda o grupo 969 (números que provêm dos nove atributos de Buda, os seis atributos de suas doutrinas e os nove atributos da ordem de Buda), dedicado a expulsar do país esta minoria muçulmana, responsável, segundo eles, por terrorismo e outros males.

O conflito atual com os rohinyá explodiu em 2012, quando uma mulher budista foi violentada e assassinada por três muçulmanos, crime que suscitou uma onda de violência sectária com dezenas de mortos e dezenas de milhares de deslocados.

As autoridades birmanesas não reconhecem o vocábulo rohinyá, consideram os membros desta minoria emigrantes ilegais bengaleses, lhes negam a cidadania e lhes restringem o movimento e outros direitos. EFE