Renzi e Berlusconi se reúnem para discutir mudanças na lei eleitoral italiana

  • Por Agencia EFE
  • 18/01/2014 20h06

Roma, 18 jan (EFE).- O líder do partido conservador Forza Itália (FI), o ex-premiê Silvio Berlusconi, e o secretário-geral do Partido Democrático (PD) italiano, Matteo Renzi, se reuniram neste sábado para abordar diversas reformas na vida política italiana, principalmente as relacionadas à lei eleitoral.

A reunião, que durou cerca de duas horas, aconteceu na sede do PD em Roma e, ao término Renzi afirmou em entrevista à imprensa que teve “uma estreita sintonia” com Berlusconi, em um ato que representa, segundo o secretário do PD, “uma passagem decisiva para a governabilidade”.

“Com o FI, o PD sentiu uma profunda sintonia não só pelos conteúdos da reforma eleitoral, mas também pela abertura do projeto a outros partidos políticos, o que acontecerá nos próximos dias”, explicou Renzi, prefeito de Florença e figura emergente da centro-esquerda italiana.

Além da lei eleitoral, os políticos abordaram também a reforma do capítulo V da Constituição (relativo à administração territorial), a transformação do sistema de representação bicameral e a redução do poder dos pequenos partidos políticos que, segundo Renzi, “impedem a governabilidade”.

Sobre a reforma da lei eleitoral, Renzi anunciou que na próxima segunda-feira apresentará um texto aberto à contribuição de todos os partidos que explicará a direção que a futura norma deverá tomar.

Renzi já tem explicado nas últimas semanas que tem em mente o “sistema espanhol”, uma lei eleitoral que privilegie os grandes partidos e dote à Itália de estabilidade política e institucional.

Além disso, o secretário do PD defende o fim do Senado.

Já Berlusconi afirmou que o acordo com Renzi “prevê uma nova lei eleitoral que ajudará a consolidação dos grandes partidos em uma ótica de simplificação do cenário político italiano”.

“Juntos manifestamos nosso desejo que todas as forças políticas possam contribuir no parlamento com a aprovação desta lei que esperamos que possa ser útil por muito tempo”, continuou Berlusconi.

O encontro provocou grande polêmica já que, segundo apontou a imprensa italiana, a aproximação entre Renzi e Berlusconi poderia fazer cambalear o governo do social-democrata Enrico Letta, do mesmo partido que o prefeito de Florença. O jornal “La Repubblica”, Letta garantiu ontem que se Renzi continuar pactuando com Berlusconi, renunciaria amanhã, domingo.

E é que a entrada de Berlusconi na sede do PD não foi bem-vista por parte da militância, que não estaria de acordo com a aproximação do ex-primeiro-ministro da Itália.

Por outro lado, o novo Centro-direita (NCD) de Angelino Alfano, a dissidência do Povo da Liberdade (PDL) de Berlusconi, é a favor de eliminar “a chantagem” que exercem os pequenos partidos para formar coalizões.

“Apoiamos a criação de um mecanismo que impeça a chantagem dos pequenos partidos. Não somos e não seremos um partido pequeno e não temos medo desse mecanismo”, afirmou o líder do NCD durante o primeiro encontro nacional dos jovens de seu partido.EFE