Representante do governo dos EUA se encontra com dissidentes em Havana

  • Por Agencia EFE
  • 23/01/2015 16h08
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Havana, 23 jan (EFE).- A secretária do Departamento de Estado dos Estados Unidos para a América Latina, Roberta Jacobson, se reuniu nesta sexta-feira em Havana com membros da dissidência cubana, a quem expressou o compromisso de seu país com os direitos humanos em Cuba, segundo disseram à Agência Efe fontes da oposição interna.

Entre os presentes no encontro com Jacobson estiveram os opositores José Daniel Ferrer, Elizardo Sánchez, Héctor Maseda, Guillermo Fariñas, Marta Beatriz Roque e Antonio González-Rodiles, detalhou à Efe a ativista Miriam Leiva, uma das fundadoras do grupo Damas de Branco e quem também participou da reunião.

Uma das ausentes foi a líder das Damas de Branco, Berta Soler, que explicou hoje à Efe que decidiu não participar por estar em desacordo com a falta de “diversidade” de opiniões na lista de convidados.

Soler, que manifestou sua rejeição ao giro diplomático dos EUA em relação a Cuba e as medidas de flexibilização do embargo anunciadas na semana passada por Washington, expressou seu descontentamento e disse que “a seleção” não levou em conta a “diversidade” de posturas e opiniões que existe na dissidência interna.

Segundo opinou, ficaram fora representantes “históricos” da oposição cubana como Félix Navarro, Ángel Moya, Oscar Elías Biscet e Ivan Hernández Carrillo, todos membros do chamado Grupo dos 75, que estiveram presos após serem condenados durante a onda repressiva conhecida como a Primavera Negra de 2003.

“É uma grande oportunidade que se perdeu, mas penso que os pontos de vista e as preocupações, as dúvidas e exigências das Damas de Branco, embora não estejamos diante da subsecretária de Estado, vão a chegar de uma forma ou outra ao governo americano”, afirmou.

O encontro entre Jacobson e os dissidentes aconteceu durante um café da manhã de trabalho, prévio à entrevista coletiva que a funcionária americana ofereceu hoje em Havana.

Jacobson, que é a representante americana de maior categoria que visita Cuba em décadas, chegou à ilha na quarta-feira à frente da delegação americana para o diálogo que Washington e Havana iniciaram ontem para restabelecer relações diplomáticas, após o degelo diplomático anunciado por ambos governos no dia 17 de dezembro.

O tema dos direitos humanos e das liberdades foi uma das principais diferenças apresentadas ontem nas conversas entre as partes, que, no entanto, mostraram determinação para continuar os diálogos e negociar a normalização de vínculos bilaterais. EFE

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