Restos do rei Ricardo III permanecerão na catedral de Leicester

  • Por Agencia EFE
  • 23/05/2014 10h57

Londres, 23 mai (EFE).- Os descendentes do rei Ricardo III (1452-1485), cujos restos foram achados em Leicester (norte da Inglaterra) em 2012, perderam nesta sexta-feira um recurso legal sobre uma disputa sobre o lugar onde o monarca deve estar enterrado.

Em uma audiência no Tribunal Superior de Londres, três juízes falaram hoje a favor do titular britânico de Justiça, Chris Grayling, e da Universidade de Leicester, partidários de que os restos do rei descansem para sempre na catedral dessa cidade, onde foram encontrados após 500 anos de busca.

Desta maneira, a Justiça rejeitou o recurso interposto pelos descendentes do monarca, cuja intenção era transferir os restos de Ricardo III a York (norte da Inglaterra).

Essa cidade do norte da Inglaterra aspirava receber os restos do rei pois foi o último monarca da dinastia de York.

Os restos foram encontrados sob um estacionamento de Leicester no qual naquela época se encontrava uma igreja que as resenhas históricas assinalavam como o túmulo do soberano, que morreu na batalha de Bosworth Field em 1485, durante a Guerra das Duas Rosas.

Na audiência de hoje, os magistrados determinaram que os restos deveriam continuar em Leicester e consideraram que “chegou o momento que do rei Ricardo III ter um novo enterro digno, e que finalmente descanse”.

“Desde a exumação de Ricardo III em 5 de setembro de 2012, foram avivadas as paixões”, afirmaram os magistrados ao anunciar seu veredicto.

Para chegar a esta conclusão, os juízes agregaram que “os assuntos relativos a sua vida e sua morte e a seu lugar de enterro foram examinados e debatidos com profundidade”.

Entre seus argumentos, os três juízes explicaram que a catedral de Leicester realizou “esforços consideráveis e investiu muito para criar um lugar durável de enterro”.

Depois que em 7 de fevereiro de 2013 o Ministério britânico de Justiça determinou que os restos do soberano inglês descansassem definitivamente na catedral de Leicester, em 16 de agosto, um juiz britânico autorizou que essa decisão fora revisada a pedido dos parentes distantes.

A sentença de hoje é fundamentada em uma longa disputa legal entre o citado Ministério britânico e a “Plantagenet Alliance”, a associação de descendentes do soberano que interpôs o recurso.

Ricardo III morreu na Guerra das Duas Rosas (1455-1485) entre partidários da Casa de Lancaster e da de York, e sua morte aos 32 anos conduziu o começo da dinastia Tudor.

O monarca, também conhecido como duque de Gloucester e último rei da Casa de York, é um personagem lendário, fonte de inspiração da literatura inglesa, que o retratou como um homem corcunda, ambicioso, cruel e sem escrúpulos.EFE