Reversão da confiança se dá por medidas concretas, diz Meirelles

  • Por Estadão Conteúdo
  • 13/05/2016 13h36
Meirelles

Henrique Meirelles, recém-empossado ministro da Fazenda, afirmou, nesta sexta-feira (13), que a “reversão da confiança se dará por medidas concretas, mesmo que não tenham efeito imediato”. enfatizando que “Precisamos de medidas concretas com grande chance de serem aprovadas pelo Congresso e, a partir daí, o nível de confiança começa a crescer”. 

Em sua primeira entrevista coletiva à imprensa, o ministro reconheceu a difícil situação econômica do País nesse início de gestão, mas lembrou que o Brasil vive um momento relevante não só pelas circunstâncias de ordem institucional, mas também política. Meirelles afirmou que, nesse momento de recessão, o País está aguardando ações e uma mudança no itinerário da economia. “No momento que estamos vivendo essa recessão, isso leva ao aumento do desemprego e queda da renda, afetando o bem estar das pessoas”, cravou, antes de reconhecer que “é legítima a demanda da sociedade para uma reversão da trajetória econômica, do emprego e da renda”. 

O ex-presidente do Banco Central crê que o ponto mais importante para essa retomada é a recuperação do investimento, que estava em queda livre e levou à queda do emprego, com uma diminuição da capacidade de oferta da economia que, mesmo com a demanda caindo, permitiu uma resistência da inflação, além de outros fatores. “Todo um ciclo de deterioração da atividade econômica levou à situação que estamos vivendo, um fiel da balança na queda da confiança”, disse. 

O novo dirigente das finanças reconheceu a incerteza política e lembrou de fatores objetivos como a incerteza em relação à sustentabilidade futura da dívida pública, “na medida em que a trajetória de elevação da dívida pública é insustentável no longo prazo, a trajetória também se torna insustentável no longo prazo”, frisou. 

Em 2015, o déficit do governo central foi de R$ 115 bilhões. Caso o Congresso aprove a proposta de mudança da meta fiscal para este ano, a equipe econômica poderá apresentar um déficit de R$ 96,6 bilhões. 

Segundo Meirelles, as medidas econômicas serão anunciadas somente depois de “maturadas” e serem, posteriormente, deliberadas e aprovadas pelo Congresso Nacional. Segundo ele, é muito importante que atitudes tomadas sejam consistentes para não serem revisadas. “Uma questão das mais importantes é a preocupação dde que metas que são anunciadas sejam realistas”. Avaliando como negativo o anúncio de números que não se confirmam, com o déficit primário maior do que é anunciado ou estimado, além do que chamou de “medidas que não são viáveis e não se revelam suficientes”, pontua.

Dizendo ter pressa, ponderou que é importante que as propostas sejam definitivas. Sua principal mensagem é de que as diretrizes sejam realistas, reconhecendo que há ansiedade em torno do anúncio de um pacote de medidas, mesmo ao ponderar que o governo começe, de fato, apenas nesta sexta-feira (13). “É hoje que estamos tendo acesso aos dados formais e precisos ao setor público brasileiro. É importante que as medidas não sejam anunciadas para satisfazer uma ansiedade”, finalizou.

2003

O recém-empossado gerente evitou fazer uma comparação entre 2003, quando assumiu a presidência do Banco Central, e 2016. Segundo ele, cada momento é diferente do anterior, nenhum momento é igual a outro. “Foi um governo desafiador, mas a questão hoje é outra, é difícil estabelecermos comparações imediatas”. 

De forma otimista, o economista lembrou que o Brasil já enfrentou situações muito difíceis e as superou. “E vai superar dessa vez também”, crava. 

Gestão anterior

Meirelles afirmou que irá fazer uma análise sobre as decisões tomadas pela gestão do seu antecessor, Nelson Barbosa, antes de anunciar a posição formal do governo. “Em relação às medidas tomadas nos últimos dias, é necessário estudar o impacto para que não possamos repetir processos de reagir rapidamente a determinados fatos. Vamos anunciar nossa posição em relação aos planos do governo anterior”. 

CPMF

Questionado se vai apoiar a recriação da CPMF, o ministro preferiu se escusar e não responder por considerar que “não devem acontecer opiniões genéricas e gerais”. “Vamos colocar a posição formal do governo a esse respeito”. 

Acreditando não restar dúvidas de que um dos fatores importantes e que pode dar segurança à população é colocar teto de gasto tanto do Planalto como do setor público. “Isso precisa ser definido pelos diplomas legais. Existe, além disso, as questões fundamentais, uma série de outras medidas que serão estudadas e aprofundadas”. 

Presidente do BC

Meirelles anunciou, também na entrevista dessa sexta-feira, que anunciará o nome do escolhido para comandar o Banco Central já na próxima segunda-feira (16), durante o período da tarde. “Não vou dizer quem é e quem não é e se não é o presidente Tombini”, disse, com a insistência dos jornalistas em saber quem deve comandar o BC e até quando fica o atual presidente, Alexandre Tombini. 

Ele se recusou também a fazer uma avaliação da condução da política monetária por já ter ocupado o cargo no governo Lula. 

Outros nomes

Na segunda, Meirelles também vai anunciar o nome dos secretários de sua pasta e das presidências dos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa e BNDES). O ministro disse que já tem alguns nomes em mente, mas que vai defini-los no fim de semana. Nesta sexta, ele só anunciou o nome de Tarcísio Godoy como secretário-executivo.

Para a direção dos bancos públicos, Meirelles reforçou que serão avaliados “critérios técnicos” e que todas as escolhas passarão por ele. “Será adotada uma política de uso do banco público para a atividade base, que é emprestar e transformar poupança em investimento”. De acordo com a tese do economista, esse tópico vai ser levado em conta independentemente da questão hipotética de algum funcionário ser filiado a partidos políticos.

A entrevista coletiva foi acompanhada por veículos de diversos países. Além de muitos membros da imprensa argentina, há a presença de jornalistas europeus, norte-americanos, mexicanos e chineses.