Rigoberta Menchú pede desenvolvimento alternativo contra a desigualdade

  • Por Agencia EFE
  • 25/06/2015 15h26

Roma, 25 jun (EFE).- A guatemalteca Rigoberta Menchú, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1992, pediu nesta quinta-feira uma alternativa de desenvolvimento perante a possibilidade de perder “a noção de vida comunitária” e contra as desigualdades econômicas e sociais.

A líder indígena participou de um ato na Expo de Milão (Itália) realizado no pavilhão austríaco sobre a relação entre as florestas e a alimentação.

Em declarações por telefone à Agência Efe, Menchú destacou que “dia após dia pode-se perder mais a noção de vida comunitária, por isso que é urgente a educação e uma alternativa de desenvolvimento após um tempo no qual nos dedicamos mais à violência”.

“Nossas preocupações foram os conflitos armados e depois as desigualdades sociais e a desumanização, justamente porque há desnutrição crônica e muitas necessidades”, afirmou Menchú, para quem “muitos ricos somente estão olhando para os bens naturais da terra”.

A embaixadora de Boa Vontade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) informou da intenção da Áustria de preparar técnicos guatemaltecos que possam “aproveitar a experiência da universidade”.

“Temos muita riqueza que não sabemos como usá-la; o desenvolvimento passa pela obtenção das tecnologias e dos conhecimentos para otimizar os recursos da natureza”, disse Menchú, para quem a tecnologia ancestral representa “ver a mãe terra de um ponto de vista integral comunitário”.

Outro dos conferencistas, o comissário geral da ONU na Expo, Eduardo Rojas, destacou à Efe o conhecimento tradicional da população indígena para preservar e aproveitar as florestas, das quais dependem.

O também subdiretor-general da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lembrou que desde o início dos tempos o ser humano se alimentou de frutos e raízes das florestas, enquanto que precisava de lenha para o consumo de carne e pescado.

Atualmente, calcula-se que 35% da população mundial utiliza lenha para cozinhar, enquanto as florestas continuam sendo imprescindíveis para a provisão de água e alimentos, e para a proteção dos solos e da biodiversidade. EFE