Risco de morte das crianças pobres de cidades é 2 vezes maior que o das ricas

  • Por Agencia EFE
  • 14/05/2015 15h24

Madri, 5 mai (EFE).- Mais da metade da população mundial vive em núcleos urbanos pela primeira vez na história e as crianças mais pobres dessas áreas têm o dobro de possibilidades de morrer antes de completar cinco anos que as mais ricas, segundo um relatório da ONG Save the Children.

Seis de cada dez pessoas viverão em cidades em 2030 e para 2050 esta proporção será de duas de cada três pessoas, de acordo com o último relatório da Save the Children sobre o Estado Mundial das Mães, que analisa a sobrevivência infantil nas cidades.

“Para muitas famílias as cidades representam a perspectiva de uma vida melhor para seus filhos, mas muitas cidades são incapazes de absorver este vertiginoso crescimento, deixando centenas de milhões de mães e crianças sem acesso a serviços básicos de saúde e à água potável que necessitam para sobreviver” explicou o diretor-geral de Save the Children na Espanha, Andrés Conde.

Na maior parte do mundo a mortalidade infantil se reduziu, já que hoje morrem 17.000 crianças a menos a cada dia que em 1990, e a taxa global de mortalidade infantil de menores de cinco anos caiu à metade, de 90 a 46 mortes por cada 1.000 nascimentos vivos, entre 1990 e 2013.

Apesar destas melhoras nas médias nacionais, a desigualdade está crescendo, o que se torna especialmente patente nas áreas urbanas, alertou a organização.

Na metade dos países analisados pela Save the Children a desigualdade entre as crianças mais ricas e as mais pobres aumentou.

Os países que apresentam uma maior desigualdade em termos de sobrevivência infantil urbana são Bangladesh, Camboja, Gana, Índia, Quênia, Madagascar, Nigéria, Peru, Ruanda, Vietnã e Zimbabué.

Nestes países, as probabilidades que uma criança pobre de uma área urbana morra é entre três e cinco vezes maior que a de uma criança rica.

A Save the Children avalia também em seu relatório o acesso e o uso de serviços sanitários em 22 cidades de todo o mundo e evidencia enormes disparidades no acesso a cuidados pré-natais e partos com pessoal qualificado.

As maiores disparidades quanto à cobertura sanitária entre os mais ricos e os mais pobres das cidades de países em desenvolvimento se encontram em Délhi (Índia), Daca (Bangladesh), Porto Príncipe (Haiti) e Díli (Timor do Leste).

Por sua vez, as diferenças em termos de desnutrição disparam em Daca, Délhi, Distrito Central (Honduras), Adis Abeba (Etiópia) e Kigali (Ruanda).

Nestas cidades, as taxas de atraso no crescimento são entre 29 e 39 pontos mais elevadas entre as crianças mais pobres em comparação com as mais ricas.

A Save the Children também analisa casos de êxito como o de Adis Abeba, onde a mortalidade infantil de crianças menores de cinco anos se reduziu à metade entre 2000 e 2011, de 114 a 53 mortes por cada 1.000 nascidos vivos.

Por outro lado, a capital dos Estados Unidos, Washington, apresenta as maiores taxas de mortalidade infantil e as maiores desigualdades das 25 cidades de países desenvolvidos examinadas.

Em 2012, o Distrito de Columbia apresentava uma taxa de mortalidade infantil de 7,9 mortes por 1.000 nascidos vivos, um número muito elevado comparado com as taxas de mortalidade infantil de menos de 2 por cada 1.000 nascidos vivos de Estocolmo e Oslo.

“A sobrevivência de milhões de crianças que vivem em cidades não deveria ser um privilégio para aqueles que nasceram em famílias mais ricas, mas um direito para todos”, ressaltou Conde.

Por essa razão, a Save the Children insta os governos a fixar um marco depois do ano 2015 para acabar com as mortes de crianças e mães que possam ser evitadas, garantir uma cobertura universal de saúde de qualidade e adotar medidas para combater a pobreza e a desnutrição especialmente nas cidades. EFE