RSF pede a Dilma medidas concretas para proteger jornalistas

  • Por Agencia EFE
  • 01/06/2015 10h45

Paris, 1 jun (EFE).- A ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) pediu à presidente Dilma Rousseff “medidas concretas e eficazes” para proteger os jornalistas, após o assassinato de dois em maio, que se somam a uma longa lista nos últimos anos.

Em carta divulgada nesta segunda-feira, a RSF também cobrou que a luta contra a impunidade que prevaleceu na maioria desses crimes “deve ser uma prioridade” porque sem investigações imparciais que permitam identificar e punir os culpados a situação “continuará sendo precária”.

“O Brasil é o terceiro país mais mortífero da América” para os jornalistas após México e Honduras, com 38 assassinatos relacionados ao exercício da função entre 2000 e o fim de 2014.

A esses se somam três deste ano, sendo o último Djalma Santos da Conceição, da rádio “RCA FM”, que foi sequestrado e assassinado no dia 22 de maio em Conceição da Feira, na Bahia.

O radialista, que tinha sido alvo de ameaças e cujo corpo apareceu com sinais de tortura, investigava a morte de uma adolescente por traficantes, destacou a organização.

Outro profissional de comunicação apareceu decapitado no dia 18 de maio perto de Padre Paraíso, ao nordeste de Minas Gerais, cinco dias após seu desaparecimento.

Evany José Metzker, fundador do blog “Coruja do Vale”, que investigava há meses sobre tráfico de drogas e prostituição infantil, tinha denunciado diversos casos de corrupção na região e apontado o envolvimento de autoridades locais.

No dia 4 de março, o jornalista paraguaio da “Rádio Cidade Nova”, da cidade paraguaia de Vala Pytã, Gerardo Servián foi assassinado em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

A Repórteres sem Fronteiras também se referiu à “forte repressão policial” sofrida pelos profissionais que cobriam as manifestações contra a alta do preço do transporte público em São Paulo entre junho de 2013 e julho de 2014, e contra os gastos da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.

“Um ano depois desse relatório, essas propostas continuam sendo letra morta”, lamentou a RSF, que considerou que o combate à violência contra os jornalistas “é mais do que nunca necessário e urgente”. EFE