Sarkozy reprova que Hollande tenha dado as mãos a Castro e as costas a Putin

  • Por Agencia EFE
  • 30/05/2015 12h43

Paris, 30 mai (EFE).- O chefe da oposição conservadora francesa, Nicolas Sarkozy, criticou neste sábado o presidente François Hollande, por ter preferido viajar para Cuba para saudar Fidel Castro ao invés de comparecer a Moscou para comemorar com o líder russo, Vladimir Putin, o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.

“Ao invés do presidente francês participar das celebrações” do 70° aniversário do final da guerra, com Putin, em 9 de maio, ele foi para Cuba para “dar a mão” a Castro, ressaltou Sarkozy no discurso com o qual fechou em Paris o congresso de seu partido, a antiga União para um Movimento Popular (UMP), agora batizado dos Republicanos.

A França, como o grosso dos países ocidentais, não enviou nenhum representante governamental ao desfile da vitória de Moscou em 9 de maio, embora o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, tenha ido depois ao Kremlin para uma recepção.

Sarkozy, que foi presidente da França entre 2007 e 2012, insistiu em defender a amizade francesa “com o povo russo” apesar “das divergências que possamos ter”, em alusão ao afastamento entre Moscou e Paris -e mais em geral com as capitais europeias- pelo conflito no leste da Ucrânia.

Além disso, o ex-líde criticou a política europeia perante o problema dos refugiados que fogem perante o avanço do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na Síria e Iraque.

“O que faz a Europa? Cotas suplementares”, disse ironicamente Sarkozy, que afirmou que “a esta Europa que tanto amo, peço que desperte”.

Sarkozy reivindicou uma maior presença da União Europeia (UE) na cena internacional e se questionou: “Construímos a Europa para que a Europa e a civilização europeia desapareçam?”

Por isso, disse que se os Republicanos chegarem ao poder nas eleições presidenciais e parlamentares de 2017, “nosso primeiro dever será voltar a fundar a Europa, porque o mundo necessita”.

Sarkozy dedicou o grosso de seu discurso a desqualificar o trabalho do socialista Hollande e da esquerda desde que chegou ao poder em maio de 2012, e pôs o acento em que seu partido tem “a enorme responsabilidade da alternância”.

“A França -assinalou- não pode estar condenada à alternativa entre o espetáculo do drama familiar dos Le Pen (em referência ao ultradireitista Frente Nacional) e o aterrorizante drama do poder atual”. EFE