Secretário dos Transportes Jilmar Tatto diz ter sido pego de surpresa por paralisação de motoristas e cobradores

  • Por Jovem Pan
  • 20/05/2014 19h13

Paralisação de motoristas e cobradores fecha terminal da zona oeste

Motoristas e cobradores paralisam terminais de ônibus em São Paulo

São Paulo parou na tarde desta terça-feira. Com a paralisação de 13 dos 28 terminais de ônibus por parte de motoristas e cobradores, o caos se instaurou no já complicado trânsito dos paulistanos. Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, o secretário municipal do transporte Jilmar Tatto se disse surpreendido com a repentina greve dos servidores.

“Nós íamos acompanhando o processo de negociação salarial do sindicato junto à SPUrbanuss, que é a entidade patronal, dos empresários de ônibus”, garante Tatto. “Ontem (segunda, 19) nós recebemos a informação de que houve a assembleia do sindicato de motoristas de mais de três mil pessoas e de que eles aprovaram o dissídio coletivo, que dá um ganho, incluindo os benefícios, de mais de 10%”, explica o secretário.

“Estava tudo resolvido, acordado, uma negociação bastante difícil, mas acordado, tudo resolvido”, reafirma Tatto. “Hoje de manhã fomos surpreendidos com um grupo de dissidentes, um grupo de pessoas ligado ao sindicato ou não começou a paralisar alguns terminais e algumas vias da cidade”.

“De que maneira? Pedindo para o usuário descer do ônibus, atravessando o ônibus obstruindo toda a via e tirando a chave do contato do ônibus e jogando essa chave fora, fazendo com que não pudesse mais tirar o ônibus da via”, relata o secretário municipal. “Isso se alastrou pela cidade”.

Tatto certifica também que tomou as iniciativas para apurar as causas do movimento que parou a megalópole. “Nós já solicitamos que a polícia investigue o que está acontecendo e tome medidas em relação a isso, acionamos o Ministério Público”, afirma.

Sobre as medidas paliativas tomadas nesta tarde, Tatto informa que colocou a “CET e a SPtrans para ajudar nessa operação; nós cancelamos o rodízio hoje e também o Paese (Plano de Apoio entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência) para amenizar”.

“Inadmissível”

O secretário municipal dos Transportes critica veementemente a atitude dos funcinários que cruzaram os braços. “É inadmissível o que está acontecendo na cidade de São Paulo. É um grupo de divergência política do sindicato que está sabotando, trazendo esse transtorno para a cidade”, diz.

“Um serviço essencial você tem que avisar a população antes que vai ter alguma paralisação, esgotar todas as chances para que esse conflito não aconteça”, pede Tatto. “Se tiver divergência, aciona a Delegacia Regional do Trabalho; se tiver problema com a delegacia e não conseguir acordar lá, tem a Justiça, o Tribunal Regional do Trabalho”, sugere.

“O que eles estão fazendo é inaceitável”, opina Tatto, lembrando que 80% das viagens em São Paulo têm a ver com o transporte de ônibus.

“A cidade não vai ficar refém desse tipo de comportamento, por isso que nós estamos tomando todas as medidas no sentido de fazer com que eles sejam investigados para ver o que está por trás disso”, atesta o secretário.

E amanhã?

Sobre como o paulistano deve se compotar nesta quarta (21) para não ser pego de surpresa novamente, Jilmar Tatto afirma que irá varar a madrugada se preciso tentando a conciliação entre as partes envolvidas. “Nós estamos em tratativa, conversando tanto com os empresários de ônibus, conversando com o sindicato dos motoristas e estamos acreditando no bom senso”.

“Estamos acreditando que esse pequeno grupo de pessoas amanhã tenha o bom senso e que não faça o que estão fazendo hoje”, praticamente clama o secretário. “De madrugada nós vamos continuar conversando em negociação, porque até a reivindicação, até o que eles pedem não está claro”, queixa-se.

Um pedido recorrente em meio ao caos desta terça foi a liberação da faixa exclusiva de ônibus para os carros, que enfrentaram muito trânsito por causa das vias interditadas. “Nós precisamos do corredor livre, das faixas exclusivas em função de que os ônibus disponíveis têm que rodar, têm que ter uma velocidade mais rápida”, explica Tatto. “É difícil tomar essa decisão”, confessa, mas diz que vai “tentar garantir o mínimo de ônibus para o usuário de transporte público”.

Punições

“Se for constatado que as empresas tiveram algum comportamento relacionado à não operação do sistema, elas serão multadas”, assegura Jilmar Tatto. “Tem que investigar o comportamento desse pequeno grupo que está agindo dessa maneira na cidade e quais são as relações desse grupo, se tem relações com empresários de ônibus, se tem relações com outro tipo de pessoas”, afirma. “Tem que investigar se a empresa é culpada”.