Segundo turno presidencial neste domingo traz riscos políticos ao Peru

  • Por Estadão Conteúdo
  • 03/06/2016 14h00
LIM04. LIMA (PERÚ), 02/06/2016.- La candidata presidencial por el partido Fuerza Popular Keiko Fujimori saluda durante el cierre de su campaña electoral hoy, jueves 2 de junio de 2016, en el populoso distrito de Villa El Salvador al sur de la ciudad de Lima (Perú). EFE/Ernesto AriasEleições Peru

O Peru realiza, neste domingo (5), o segundo turno das eleições presidenciais em uma disputa entre Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski. Na avaliação da consultoria Capital Economics, independentemente do vencedor, não deve haver muitas mudanças em relação às atuais políticas econômicas amigáveis ao mercado do atual presidente, Ollanta Humala, mas há uma série de riscos políticos que podem afetar as perspectivas.

Os dois candidatos são considerados de centro-direita e pesquisas recentes indicam uma disputa apertada nas urnas, com ligeira vantagem para Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Após ficar no poder entre 1990 e 2000, Fujimori acabou condenado por corrupção e violações aos direitos humanos e, hoje, aos 77 anos, está preso.

Na avaliação da Capital Economics, Keiko é uma figura que provoca muitas divisões no país e a eleição dela pode ser um estopim para o descontentamento popular. Os protestos contra a candidata na campanha foram alguns dos maiores desde o impeachment do pai dela, lembra a consultoria, e qualquer sinal de que Keiko possa se inspirar nos “métodos autoritários dele poderiam gerar mais protestos e instabilidade”. Por outro lado, uma vitória de Kuczynski traz o risco de dificuldades para a aprovação de medidas no Congresso, porque a Força Popular, da candidata líder, controla quase 60% das cadeiras, ante 15% do partido Peruanos pela Mudança, de Kuczynski. Mesmo derrotada, a política continuaria, dessa forma, como uma figura central no legislativo peruano, aponta a consultoria.

A Capital Economics diz ainda que os riscos fiscais do Peru devem aumentar nos próximos cinco anos, pois os dois candidatos se comprometeram a afrouxar a política fiscal depois das eleições. A consultoria avalia que, em princípio, isso não é uma preocupação imediata, porque uma grande proporção dos gastos extras devem ir para projetos de infraestrutura, que apoiarão as perspectivas de crescimento no médio prazo, além de o Peru ter uma dívida pública entre as mais baixas da região. “Mas, como a economia está provavelmente já perto de seu potencial, medidas fiscal pró-cíclica reduziriam o espaço para o governo apoiar a economia contra choques futuros e uma forte alta na dívida seria preocupante”, finalizam as análises.