Sem caixa, Correios vão precisar de financiamento para pagar salários

  • Por Estadão Conteúdo
  • 09/06/2016 09h02
Correios 3

Operando no vermelho, os Correios vão precisar recorrer a um empréstimo, ainda neste ano, para conseguir honrar seus compromissos, incluindo salários de empregados e encomendas de fornecedores. As projeções são de que o dinheiro no caixa da empresa termine no segundo semestre. No ano passado, as indicações são de que a empresa tenha terminado com prejuízo de R$ 2,1 bilhões. O balanço ainda não foi publicado. Até o mês de maio, a perda já chega a R$ 700 milhões.

Mais de dez anos após ser o palco inaugural do escândalo do mensalão, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) ainda sofre, segundo quem acompanha o dia a dia da companhia, as consequências do aparelhamento político-partidário a que foi submetida nos últimos anos.

A atual direção, composta na maior parte por indicados do PDT, partido do ex-presidente Giovanni Queiroz e do ex-ministro das Comunicações André Figueiredo, tem apenas um membro que é funcionário de carreira e com experiência em logística.

O valor de R$ 2,1 bilhões de perda, em 2015, já passou pelo crivo do conselho de administração da estatal, mas ainda não é oficial porque tem de ser submetido a uma assembleia geral ordinária, que não tem data para ocorrer. Procurados, os Correios disseram apenas que “adotam as melhores práticas de governança corporativa” e que só iriam se manifestar sobre o balanço após aprovação por sua assembleia.

Tarifas

Fontes consultadas pela reportagem apontam o represamento do preço das tarifas de serviços, afim de evitar impactos na inflação, como um dos principais fatores desse prejuízo recorde. Mesmo com o reajuste de 8,89% dado pelo governo, em dezembro de 2015, para as tarifas de entrega de cartas e telegramas, a defasagem retirou cerca de R$ 350 milhões da estatal no ano passado.

Apesar do reajuste, os cálculos são de que os preços ainda continuam defasados em torno de 8%, o que retira R$ 40 milhões, em média, do caixa da companhia todo mês. O aumento deste ano, previsto para abril, ainda não foi autorizado.

As despesas dos crescem em ritmo superior às receitas. Em 2015, enquanto as despesas aumentaram 18,3%, as receitas cresceram 6,5%, abaixo da inflação. Só os dispêndios médicos dos funcionários subiram mais de R$ 500 milhões. A Postal Saúde, plano de assistência médica dos funcionários, foi criada para reduzir os prejuízos com assistência médica hospitalar e odontológica. Mas o resultado foi o contrário.

Antes de apresentar os déficit de R$ 313 milhões em 2013, de R$ 20 milhões em 2014 e de R$ 2,1 bilhões em 2015, a estatal de entregas fechou 2012 com R$ 6 bilhões em aplicações, mas os resultados deficitários dos anos seguintes e os fortes repasses de dividendos para o Tesouro Nacional para ajudar no fechamento das contas fizeram com que as verbas investidas fossem minguando nos anos seguintes. No ano passado, fechou em menos de R$ 2 bilhões.