Sem testes, diagnóstico de zika é feito por exclusão, diz Sociedade Brasileira de Dengue

  • Por Jovem Pan
  • 01/02/2016 21h47
EFE/Jeffrey Arguedasmosquito da dengue

O Comitê de Emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) se reuniu nesta segunda-feira (01) através de teleconferência e declarou que a disseminação do zika vírus se tornou uma emergência de saúde pública internacional. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa em Genebra, após a primeira reunião do Comitê de Emergência sobre zika vírus da OMS. A organização afirmou que é necessária uma resposta internacional coordenada para o combate ao vírus.

A decisão de convocar o Comitê foi tomada na semana passada pela diretora-geral da OMS, Margaret Chan, após detectar “o explosivo” crescimento dos casos de zika e a possível relação com a microcefalia. No entanto, o processo para o diagnóstico da doença no País ainda deve ser melhorado.

Em entrevista a repórter Izilda Alves, o presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, Artur Timerman, afirmou que o diagnóstico para verificar se uma pessoa foi ou não infectada pelo vírus zika é por exclusão.

“Quando a pessoa tem manifestação clínica faz um teste de dengue, dá negativo; exame de chikungunya, negativo; então se pressupõe que ela está tendo zika e fica com o diagnóstico que chamamos de exclusão. O PCR [teste para identificar a presença de zika vírus] não é um teste validado para ser usado em acompanhamento em grande escala. É mais caro, exige laboratório especializado”, explicou.

Artur Timerman apontou a urgência em se avançarem as pesquisas de testes para a detecção da doença. “A pesquisa de anticorpos induzidos pela infecção, que poderia ajudar a identificar quem teve ou não zika, ainda não foi desenvolvido”, disse.

“A suposição da OMS ao zika, é porque todas as outras causas infecciosas passíveis de causar microcefalia – toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes – têm que ser descartadas (…) Isso tem que ser melhor investigado a medida que desenvolvemos técnicas que permitam um diagnóstico de certeza”, apontou.

Segundo a OMS, o vírus está presente, atualmente, em 24 países e territórios e no Brasil, o mais afetado pela epidemia, já que há um milhão e meio de casos da doença e 4.180 bebês nascidos com microcefalia.

Exceto o Brasil, nenhum outro país afetado no continente americano detectou até agora essa relação, mas isso pode se dever ao fato de as más-formações serem intrauterinas e, em alguns casos, não serem detectados antes do nascimento.