Série de atentados deixa 9 mortos e abala a Turquia

  • Por Agencia EFE
  • 10/08/2015 16h39

Dogan Tilic.

Ancara, 10 ago (EFE).- Uma onda de atentados abalou a Turquia nesta segunda-feira, desde a cidade de Istambul, no oeste do país, até as regiões mais ao leste, ataques cometidos por diferentes grupos armados e que deixaram nove mortos, além de dezenas de feridos.

A jornada de violência começou hoje por volta de 1h no horário local (19h de domingo em Brasília) com um atentado suicida contra uma delegacia de polícia em Sultanbeyli, no subúrbio de Istambul.

Dez pessoas, entre elas três policiais, ficaram feridas na explosão do carro-bomba jogado contra o quartel.

Horas mais tarde, os agentes que vigiavam a mesma delegacia foram atacados por um franco-atirador, que matou um dos policiais.

Na sequência, as forças de seguranças da Turquia iniciaram uma operação, com auxílio de helicópteros, para encontrar os responsáveis. Dois supostos autores dos ataques morreram, um pelas mãos dos agentes e outro após a explosão de uma bomba que pretendia lançar contra os policiais.

Não está claro quem é o responsável pelo primeiro atentado desta segunda-feira. Enquanto as autoridades acusam o ilegal Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a imprensa não descarta como autor o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

O PKK suspendeu no fim de julho o cessar-fogo unilateral que estava em vigor há dois anos. Já os jihadistas tinham ameaçado promover ataques na Turquia depois da adesão do governo do país à coalizão internacional que combate o grupo no Iraque e na Síria.

Os turcos também estão permitindo que a aliança utilize bases aéreas do país. Neste fim de semana, chegaram à base de Incirlik, na província de Adana, seis caças F-16 americanos que serão usados em bombardeios na vizinha Síria.

No segundo atentado do dia, duas mulheres, supostamente militantes de um partido de esquerda radical, promoveram um ataque contra o consulado dos Estados Unidos em Istambul. Ninguém ficou ferido. Uma das autoras, uma enfermeira de 51 anos, foi presa. A outra segue sendo procurada pela polícia.

Ela seria militante do Partido Frente Revolucionária de Libertação Popular (DHKP/C). Identificada pela imprensa como Hatice A., ela foi libertada em julho após passar três anos na prisão por ajudar outros militantes a encontrar um apartamento seguro.

O DHKP/C, de orientação marxista-leninista, já realizou em fevereiro de 2013 um ataque contra a embaixada dos Estados Unidos, um atentado suicida no qual morreu um dos seguranças do local.

Poucas horas mais tarde, dois novos ataques foram realizados na província de Sirnak, no sudeste do país, supostamente cometidos pelo PKK contra a Polícia e o Exército turcos.

Um suposto integrante do PKK disparou contra um helicóptero que levava soldados que acabavam de terminar seus serviços militares. Um jovem morreu e outro acabou ferido.

Já na cidade de Silopi, também em Sirnak, uma bomba ativada por controle remoto explodiu durante a passagem de um blindado. Quatro agentes morreram e outro ficou gravemente ferido.

Os policiais foram atacados quando o veículo tentava entrar na cidade, onde na última sexta-feira morreram três civis e um policial em enfrentamentos entre supostos simpatizantes do PKK e das forças de segurança.

No fim do dia ocorreu outro ataque simultâneo, também supostamente cometido por integrantes do PKK, contra instalações de segurança turcas na cidade de Lice, na província de Diyarbakir. Não houve mortos nem feridos.

Desde a suspensão do cessar-fogo do PKK já morreram mais de 30 agentes de segurança turcos. O Exército do país responde os ataques bombardeando posições da guerrilha curda no norte do Iraque.

Segundo a agência de notícias “Anadolu”, cerca de 400 membros do PKK morreram na ofensiva aérea turca.

As forças de segurança turca também prenderam mais de 1.300 suspeitos em operações policiais realizadas em todo país contra supostos membros e simpatizantes do PKK, do DHKP-C e do EI.

A Turquia lançou uma ofensiva contra o PKK e os jihadistas depois de um atentado suicida do EI contra uma reunião de ativistas de esquerda ter matado mais de 30 pessoas em julho na cidade de Suruç.

Após o ataque, o PKK matou dois policiais em suas próprias casas e um civil com vínculos islamitas, o que provocou a ofensiva aérea turca contra posições da guerrilha no norte do Iraque.

No último sábado, Selahattin Demirtas, líder do partido pró-curdo de esquerda HDP, pediu o PKK que interrompa os ataques após duas semanas de combates desde o fim da trégua.

“O PKK deveria retirar imediatamente o dedo do gatilho e declarar que voltará a respeitar o cessar-fogo”, exigiu Demirtas. EFE

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