Serra Leoa pede ajuda a FAO para atenuar prejuízos causados pelo ebola

  • Por Agencia EFE
  • 01/10/2014 11h56

Roma, 1 out (EFE).- O ministro da Agricultura de Serra Leoa, Joseph Sam Sesay, pediu nesta quarta-feira em Roma apoio ao diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, para a elaboração de um programa de emergência de recuperação da agricultura, o setor mais prejudicado pelo ebola.

Sam Sesay lembrou que a maioria das pessoas contaminadas pelo vírus do ebola é formada por pequenos agricultores e alertou para as consequências que uma deterioração no setor agrário pode ter em um país como Serra Leoa, no qual “a metade da população é pobre”.

Embora as Nações Unidas já tenham desenvolvido iniciativas de apoio ao setor agrário dos países da África Ocidental prejudicados pelo ebola – Guiné, Libéria e Serra Leoa, o responsável pela Agricultura de Serra Leoa procura novos esforços para desenvolver um programa de emergência para os próximos cinco anos que permita atenuar os danos e recuperar a atividade agrária.

“Durante o conflito do ebola, a FAO tem que atuar de uma maneira muito forte, porque os pequenos agricultores são os mais afetados”, disse à agência Efe após lembrar que “é necessário o apoio da FAO para desenvolver e supervisionar um programa nacional de recuperação da agricultura”.

O ebola também se espalhou com força pelos distritos de Serra Leoa que concentram o maior volume de exportações e de produção de alimentos, e por isso Sam Sesay afirmou que o ebola “terá um impacto grande na produção agrícola”.

Segundo ele muitas das fazendas nas quais o trabalho é coletivo tiveram que fechar e foram abandonadas diante do risco que trabalhar em grupo significa para contrair a doença.

Após afirmar que “os tempos de crise são os tempos para conhecer quem são realmente nossos amigos”, o ministro de Serra Leoa convidou o diretor-geral da FAO a visitar o país para ver a situação em pessoa, e Graziano garantiu que viajará ao país africano no início do ano que vem.

Perguntado pela reação da comunidade internacional, Sam Sesay confessou ter “sentimentos desencontrados”.

No princípio da crise sanitária o ebola não foi tratado com a importância que merecia e a resposta foi “pequena e lenta”, embora acredite que agora haja uma reação mais adequada.

A China, segundo Sam Sesay, se destacou por ter respondido “muito bem, em várias ocasiões e não só com material, mas também com dinheiro”. Entre outras coisas, o país asiático enviou na semana passada laboratórios móveis e equipes de saúde para realizar novos testes do vírus.

Ele também reconheceu que Estados Unidos e Reino Unido “se esforçaram muito”, e espera que “ainda haja muito para chegar” da comunidade internacional para lutar contra este vírus, que em Serra Leoa causou a morte de mais de 500 pessoas.

O governo anunciou na semana passada que colocou três províncias em quarentena, onde vivem mais de um milhão de pessoas, em uma nova tentativa de conter a propagação do vírus, que já matou mais de 2.800 pessoas na África Ocidental.

O presidente do país, Ernest Bai Koroma, anunciou essa nova ordem através de uma mensagem divulgada em 25 de setembro pelo rádio, três dias depois de terminar o prazo do toque de recolher que obrigou todos os habitantes a permanecerem em suas casas durante três dias. EFE