Setor produtivo e Governo se afastaram por “puro preconceito”, avalia Delfim Netto

  • Por Jovem Pan
  • 13/11/2014 15h11
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17-11-2009, 10h00: o economista e ex-ministro Antonio Delfim Netto concede entrevista em seu escritório no bairro do Pacaembu, em São Paulo (SP). (Foto: Leticia Moreira/Folhapress, DINHEIRO)Antônio Delfim Netto

Delfim Netto falou em entrevista exclusiva à Jovem Pan na manhã desta quinta.

Avaliando o estágio da economia atual, Delfim disse que “nós não estamos à beira do apocalipse”. Ao propor as causas das instabilidades e incertezas, o economista e ex-ministro da Fazenda afirmou: “Existe uma diferença muito grande entre o que pensa o setor produtivo nacional e o que pensa o Governo”. E completou: “Os dois se distanciaram enormemente e por puro preconceito”.

“O setor privado acreditava ou acredita que a Dilma é uma trotskista enrustida e eles achavam que a Dilma acreditasse que eles eram um bando de ladrões que só olhavam para o seu umbigo”, explanou Netto.

“Os dois estão errados”, postulou. “Na verdade houve uma memória muito importante no aspecto social do País, e isso não pode ser ignorado”.

Delfim lembra que é preciso trabalhar em conjunto com a Presidente para implementar as mudanças necessárias. “Terminou a eleição e ela recebeu um voto de confiança da sociedade”. Ele disse: “Não adianta ficar discutindo. Nós só temos ela para trabalhar”.

“É muito melhor enfrentar essa realidade, fazer, na verdade, uma limpeza desses conceitos e começar direito”, disse.

Por fim, Delfim propõe a realização de um programa de longo prazo, com agenda definida para, assim, “chegar em 2017 provavelmente com crescimento de 3%, 3,5%, uma taxa de inflação muito parecida com a meta e muito melhor equilíbrio na balança de pagamento”.

Delfim Netto também comentou a proposta governamental de modificar a Lei de Diretrizes Orçamentárias. O ex-ministro da fazenda e professor, contudo, considera que “há um grande exagero” nas fortes críticas que se tem feito ao projeto de lei encaminhado ao Congresso pela presidente.

“Quando se diz que ela (Dilma) pediu um cheque em branco, só se fosse irresponsável. No fundo, acho que foi uma medida de legítima defesa”, avaliou.

Delfim assume que “Vai ter provavelmente um déficit primário”, que “o Governo está numa situação delicada” e “está tendo um comportamento fiscal um pouco abusivo”. Mesmo assim, entende que “é uma coisa absolutamente necessária que seja feita (a alteração na LDO) para evitar dificuldades em direção à responsabilidade fiscal”.

“Estamos tendo mais uma vez um claro sinal de que a relação dívida pública/PIB está crescendo”, explicou. “No fundo nós usamos o câmbio durante anos como instrumento para combater a inflação”, disse também depois.

Delfim disse, por fim, que antigamente o G-20 pedia para cortar todos os gastos e “afundou o mundo”, mas agora pede para fazer mais investimentos e “vai funcionar”, prevê.