Seul interroga jornalista japonês acusado de difamar presidente sul-coreana

  • Por Agencia EFE
  • 19/08/2014 02h01

Seul, 19 ago (EFE).- Um jornalista japonês foi interrogado em Seul por mencionar em um artigo que a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye reagiu tarde ao naufrágio da embarcação Sewol por estar em um encontro com um homem, publicou nesta terça-feira a imprensa sul-corean.

Tatsuya Kato, correspondente-chefe na Coreia do Sul do jornal “Sankei”, o sexto de maior tiragem do Japão, compareceu na segunda-feira à promotoria, que o proibiu de sair do país, publicou hoje o jornal “Chosun”.

É o primeiro caso em que um jornalista japonês é interrogado pela promotoria sul-coreana desde 1993, quando o delegado em Seul da rede de televisão “Fuji” foi detido acusado de receber informação militar confidencial de um oficial da inteligência sul-coreana.

Uma organização civil conservadora sul-coreana foi quem processou o jornalista japonês pelo artigo publicado em 3 de agosto sob o título “Park Geun-hye desapareceu no dia em que o ferri afundou; quem estava vendo?”.

O artigo citou a imprensa sul-coreana ao afirmar que a presidente permaneceu em paradeiro desconhecido durante sete horas em 16 de abril, dia em que no começo da manhã a embarcação Sewol naufragou, deixando 304 mortos, a maioria jovens estudantes de bacharelado.

Por causa disto o correspondente japonês sugeriu que Park, de 62 anos, se encontrava esse dia em uma reunião secreta com um homem desconhecido, e para provar essa hipótese citou rumores nos círculos financeiros da Coreia do Sul.

A Casa Azul, por sua vez, garantiu que Park estava “dentro do complexo presidencial” em 16 de abril e manifestou sua intenção de pedir satisfações ao “Sankei”.

A promotoria sul-coreana pretende interrogar mais uma vez Kato antes de decidir se apresenta acusações de difamação.

A possível ação contra o jornalista poderia representar um novo revés para as já difíceis relações diplomáticas entre Coreia do Sul e Japão, que passam por uma etapa de esfriamento devido aos conflitos históricos e territoriais.

A presidente Park Geun-hye recebeu várias críticas desde o naufrágio, já que diversos setores da sociedade sul-coreana atribuem a ela e ao seu governo parte da responsabilidade na maior tragédia da história recente do país.

Já o “Sankei”, considerado o mais conservador e de tendência nacionalista dos principais jornais japoneses, reagiu ao caso com a publicação de uma nota na qual afirma que o artigo de Kato se baseava em declarações realizadas na Assembleia Nacional sul-coreana e em uma coluna de um jornal deste país. EFE