Sínodo propõe renovar linguagem e deixar valores católicos mais atrativos

  • Por Agencia EFE
  • 07/10/2014 13h21

Cidade do Vaticano, 7 out (EFE).- Alguns participantes da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família, realizada no Vaticano, abordaram a possibilidade de renovar a linguagem e fazer mais atrativos os valores que a Igreja Católica defende.

Estes argumentos foram tratados durante a terceira sessão do Sínodo, que começou ontem e segue até o dia 19, conforme o resumo dos discursos que porta-vozes do escritório de imprensa do Vaticano deram hoje em inglês, italiano e espanhol.

Ontem discursaram 70 padres sinodais e pela manhã foi a vez de mais 32. O debate continuará esta tarde, informou a sala de imprensa do Vaticano. Durante os discursos de hoje, alguns padres sinodais falaram da “necessidade de adequar a linguagem da Igreja para que a doutrina sobre a família seja compreendida de uma maneira justa”.

“Se a Igreja não escuta o mundo, o mundo não escutará a Igreja”, refletiu um dos participantes.

Um dos bispos ressaltou que expressões como “viver em pecado” ou “mentalidade anticoncepcional” não ajudam a explicar os conceitos de “lei natural” que a Igreja Católica defende. Em algumas conferências foi dito que para que os católicos compreendam e aceitem “a lei natural” – ou seja os preceitos que regem a vida moral para a Igreja Católica -, é preciso um comportamento “menos defensivo e mais ofensivo”.

De acordo com o resumo dos porta-vozes, este bispo pediu à Igreja “para passar de uma situação defensiva a uma positiva e ativa, relançando o patrimônio da fé com uma linguagem nova, com esperança, ardência e entusiasmo, dando testemunhos convincentes, criando uma ponte entre a linguagem da Igreja e o da sociedade”.

“É preciso mostrar mais os valores atrativos e menos as proibições; mais a propostas que a normas”, disse este bispo, segundo o resumo do Vaticano, que nestes dias não dirá de quem é cada uma das opiniões expressadas.

Outro dos temas abordado por um dos participantes foi o de “valorar a sexualidade no casamento”, pois considerou que “se falou tanto, de maneira crítica, da sexualidade fora do casamento que a sexualidade conjugal parece quase a concessão a uma imperfeição”. Vários participantes coincidiram que é necessário reforçar a preparação dos casais ao casamento e, depois, continuar este acompanhamento em todos os períodos da vida cristã.

“O tema de acompanhamento às famílias para que ninguém se sinta rejeitado e abandonado pela Igreja aparece em muitos discursos”, explicaram os porta-vozes.

Em outra reflexão, um bispo pediu mais exigências com os requisitos pedidos aos casais para se casar, pois os casamentos são feitos com facilidade e, depois, são rompidos ou entrem em crise.

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Um bispo da África também expôs o problema da poligamia na região. Para ele, nestes casos é necessário “ressaltar a fidelidade e o caráter indissolúvel do casamento” e para isso dar ajuda através de grupos de apoio ou comunidades.

Por enquanto, tudo indica que entre os padres sinodais não é questionado “que o casamento é indissolúvel”, embora, como disse um bispo, é preciso levar em conta que já no Novo Testamento se falava de várias experiências de casamentos em dificuldade.

“O casamento é e continuará sendo um sacramento indissolúvel, (…) mas embora seja importante manter os princípios, também é preciso mudar as formas concretas de sua atuação”, opinou outro bispo.

Outro dos conceitos expressados hoje é que durante este Sínodo não se “põe em discussão a doutrina, mas é feita a reflexão sobre a pastoral, ou seja, sobre o discernimento espiritual para a aplicação de tal doutrina perante os desafios da família contemporânea”.

Alguns padres participantes de hoje são de regiões onde há ou houve conflitos, como Líbano, Iraque, Bálcãs. Eles relataram a repercussão que essa situação teve na vida das famílias, cuja uma das consequências é a imigração. EFE