“Slow Food” critica Expo Milão por deixar produtores de fora

  • Por Agencia EFE
  • 13/02/2015 19h10

Roma, 13 fev (EFE).- O presidente do movimento internacional “Slow Food”, Carlo Petrini, criticou nesta sexta-feira em Roma o “circo” da Expo que será realizada em Milão, por “só levar em conta os governos e as multinacionais, e não o trabalho dos milhões de camponeses que produzem os alimentos”.

Após seu discurso no Fórum dos Povos Indígenas que terminou hoje em Roma, Petrini disse que a Expo, que acontecerá 1º de maio a 31 de outubro, “não representa a alimentação, porque o planeta não se nutre com os governos nem com as multinacionais, mas com o trabalho de milhões de camponeses, pescadores, criadores de gado e artesãos”.

“A Itália se presta ao circo da Expo sem ter um indígena. É só indústria, multinacionais e governos, mas nada de indígenas, que são os últimos”, criticou.

Estimou que as comunidades indígenas, que com suas técnicas tradicionais e sustentáveis podem indicar “a via de saída da crise alimentar, um problema que é fruto da avareza de uma humanidade que não reconhece o valor da alimentação”.

Ele expôs uma visão crítica do sistema alimentar mundial – “que está em crise e chegou ao abismo” – e defendeu que aplicar a teoria do livre mercado aos alimentos é um crime, enquanto uma humanidade que não avalia a alimentação é “criminosa”.

“O sistema alimentar vive em um absurdo de uma produção incrível de alimentos e, ao mesmo tempo, uma produção impressionante de desperdícios”, denunciou Petrini, que lembrou que no mundo há 850 milhões de pessoas desnutridas ou mal-alimentadas.

Um número que, apontou, se contradiz com o nível de desperdício, porque “40% da produção alimentar se perde antes de alimentar a população”.

Também ressaltou que “não é tolerável que as pessoas continuem morrendo de fome, enquanto gastamos um valor indecoroso em armas”.

O problema para ele, é que o lucro econômico “é o centro de tudo e gerou no último século um desequilíbrio inimaginável”.

A ideologia que vale hoje, criticou, é de que “o alimento já não tem valor, é um objeto que se compra e se vende com um preço”, e acrescentou que “uma coisa é valor e outra é preço”.

Sustentou, além disso, que a sociedade não pensa que os recursos do planeta têm fim e ressaltou que em 110 anos 70% da biodiversidade mundial foi perdida, uma riqueza que “desapareceu porque se privilegia o mais produtivo”.

O movimento “Slow Food” é uma organização sem fins lucrativos que trabalha para dar valor aos alimentos, pelo respeito a quem os produz em harmonia com o meio ambiente e com os ecossistemas, e que busca reproduzir os saberes mantidos por tradições locais.

O fórum foi organizado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (IFAD), das Nações Unidas.

Durante dois dias em Roma cerca de 50 representantes de organizações de povos indígenas se reuniram para analisar a importância de seus conhecimentos tradicionais para erradicar a fome e a pobreza, e transformar as comunidades rurais. EFE