Sobreviventes de última tragédia no Mediterrâneo chegam à Itália

  • Por Agencia EFE
  • 06/08/2015 17h00

Roma, 6 ago (EFE).- Os sobreviventes da última tragédia nas águas do Mar Mediterrâneo chegaram nesta quinta-feira à ilha italiana da Sicília, onde desembarcaram junto com os 25 corpos do naufrágio ocorrido ontem na costa da Líbia.

Das 373 pessoas resgatadas, seis não desembarcaram no porto siciliano e foram levadas de helicóptero a um hospital de Lampedusa porque precisavam de atendimento médico urgente.

Os imigrantes que chegaram à Sicília foram levados a bordo do navio da Marinha irlandesa “Le Niamh”, que também transportou os 25 corpos recuperados. Sobreviventes disseram que poderia haver entre 400 e 600 pessoas a bordo.

A Itália continua a receber centenas de imigrantes todos os dias. Uma fonte da Guarda Costeira italiana confirmou à Agência Efe que só hoje prestaram socorro a quase 1.200 imigrantes em diversas operações no Mediterrâneo, que devem chegar ao território italiano nos próximos dias.

Destes 1.200, a mesma fonte confirmou que 381, salvos quando viajavam em um barco da Líbia para a Europa, chegarão amanhã ao porto siciliano de Pozzallo.

O resgate destas 381 pessoas, entre elas 55 mulheres e 26 crianças, aconteceu a quase 50 quilômetros ao norte do litoral da Líbia.

A guarda-costeira também explicou que outros 94 imigrantes socorridos nos últimos dias e que deveriam ter chegado hoje ao porto siciliano de Augusta continuam no mar, a bordo de navios italianos, à espera de o desembarque ser possível.

A Sicília está saturada após as últimas chegadas maciças de imigrantes que, encorajados pelo bom tempo, iniciam sua viagem geralmente desde o norte da África para a Europa.

A Organização Internacional de Migrações (OIM) informou recentemente que até agora neste ano morreram duas mil pessoas no Mediterrâneo, a rota “mais mortal para os imigrantes que buscam uma vida melhor”, enquanto em todo o passado ano foram 1.607 mortes.

“É lamentável e descoconsolador ver como contionuamos a perder vidas no Mediterrâneo”, afirmou Paula Farias, coordenadora do projeto da Médicos Sem Fronteiras no Mediterrâneo.

“Os números e os naufrágios evidenciam a magnitude da crise, mas por trás de cada número está a história de pessoas que se veem obrigadas a empreender uma travessia perigosa em embarcações frágeis porque não têm formas legais e seguras de solicitar asilo e ter a proteção que necessitam”, acrescentou.

A MSF pediu “à UE e a seus Estados-membros que aumentem os recursos das operações de busca e salvamento e que as mantenham o tempo que for necessário”.

A Comissão Europeia (CE) pediu hoje uma resposta global e conjunta com os países de origem e trânsito à crise migratória do Mediterrâneo e coragem para botar em prática as medidas que já foram decidir pela UE.

“É muito fácil chorar diante da televisão quando veem estas tragédias, mas é mais difícil assumir responsabilidades”, assinalaram em comunicado conjunto o primeiro vice-presidente da CE, Frans Timmermans; a Alta Representante da UE, Federica Mogherini, e o comissário europeu de Imigração, Dimitris Avramopulos.

Avramopulos já havia pedido no Twitter “uma resposta global com os países de origem e de trânsito” e “soluções concretas” na cúpula que será realizada em Valletta dias 11 e 12 de novembro com os países africanos.

O comissário considerou “inaceitável” que a vida de “pessoas desesperadas” seja colocada em risco em embarcações abarrotadas para tentar chegar a Europa. EFE

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