Regeneração da vegetação nas margens de rios e lagoas pode impedir inundações
Construção de canais de escoamento podem ajudar, mas obra é considerada de alto risco ambiental e social
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A construção de canais auxiliares para acelerar o escoamento das águas das lagoas dos Patos e do Guaíba pode ser um caminho para evitar possíveis inundações no Rio Grande do Sul. Neste momento, estudos estão sendo feitos e serão analisadas três opções. Uma delas, é um canal livre em que o fluxo da água vá direto para o mar ou com comportas que seriam abertas só quando a água atingir uma altura limite. Para geógrafo, Alexander Evaso, a última opção, com comportas, seria a melhor escolha. “ Se optarem por uma construção desse tipo, a inclusão de comportas permitem o escoamento forçado das águas do continente, e, ao mesmo tempo, evitaria, graças à elevada robustez, a entrada de águas do mar no sentido contrário”. Segundo ele, é importante associar soluções adicionais, afim de diminuir riscos. “Se um controle desse tipo não for bem planejado, com um corpo técnico preparado para ousar em termos da engenharia, essa infraestrutura pode, inclusive, aumentar o risco de enchentes”.
Uma solução adicional importante a ser levada bastante a sério pelas autoridades do estado é a regeneração das vegetações de várzea de grande parte dos rios, inclusive daquelas que atravessam áreas urbanas. “Isso pode desacelerar o fluxo dos excedentes de água para os rios principais, e, assim, permitir que quando as águas chegarem ao Lago Guaíba e à Lagoa dos Patos a vazão seja mais eficiente”. explica o geógrafo. Ao mesmo tempo, essa regeneração poderia evitar a ocupação das várzeas com construções e proteger vidas e bens materiais das famílias, além de funcionar como área de lazer para as populações em períodos mais secos do ano. “Um projeto intenso de regeneração das várzeas inundáveis pode conferir muito mais eficiência a essa solução dos canais com comportas”.
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Canal ligaria as lagoas dos Patos e Guaíba ao mar
O Instituto de Pesquisas Hidrológicas da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), divulgou uma nota contra a proposta dos canais. De acordo com o professor Fernando Meirelles, estudos feitos pela universidade mostram que um canal teria pouco efeito para o escoamento da água acumulada em Porto Alegre. “Um rebaixamento de um metro na lagoa dos Patos significaria poucos centímetros a menos na enchente do Guaíba”, diz.
A salinização das lagoas também é outro ponto desfavorável. “A água do mar pode afetar o ecossistema, prejudicar a população ribeirinha, a pesca e até o abastecimento de água. Portanto, a solução dos canais deve ser cuidadosamente pensada”, aponta Evaso.
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