Syriza vence eleições gregas com maior abstenção da história

  • Por Agencia EFE
  • 21/09/2015 01h41

(Atualiza com 80% dos votos apurados)

Remei Calabuig.

Atenas, 21 set (EFE).- A coalizão esquerdista Syriza, liderada pelo ex-primeiro-ministro Alexis Tsipras, venceu as eleições gerais antecipadas realizadas neste domingo na Grécia, pleito marcado pela abstenção mais alta da história.

“Tivemos uma batalha difícil e estou muito feliz porque o povo nos deu um mandato claro para continuar lutando interna e externamente”, disse Tsipras em discurso na Praça Klafthmonos, no centro de Atenas, perante centenas de simpatizantes.

Com 80% dos votos apurados, a Syriza obteve 35% e 145 cadeiras, à frente dos conservadores do Nova Democracia, que obtiveram 28% e 75 deputados.

Tsipras anunciou que repetirá a coalizão que formou junto ao grupo nacionalista de direitas Gregos Independentes (ANEL) em janeiro.

Com os mais de 3,5% e os 10 parlamentares conseguidos pelo ANEL, Tsipras não precisará se aliar a um terceiro partido para ter maioria parlamentar, já que ambos somam 155 dos 300 deputados que formam a câmera.

O presidente de Nova Democracia, Vanguelis Meimarakis, reconheceu sua derrota minutos depois do início da apuração, quando os números já apontavam a clara vitória de seu principal rival.

“Lutamos a batalha com seriedade, aparentemente o resultado dá a vitória ao Syriza e ao Tsipras. O felicito, o resto discutiremos”, afirmou Meimarakis ao chegar na sede do partido, perto do centro de Atenas.

Mas, sem dúvida, uma das grandes protagonistas deste pleito foi a abstenção de 43% dos eleitores, a maior já registrada na Grécia, onde o voto é obrigatório.

Já o partido neonazista Amanhecer Dourado, que obteve 7% dos votos e 18 cadeiras, conseguiu se consolidar como terceira força parlamentar.

“O povo não sentiu ainda na própria carne as consequências do programa de resgate e por isso votou na Syriza”, afirmou o deputado ultradireitista Ilias Kasidiaris.

Atrás ficaram o social-democrata Pasok, 6% (17 cadeiras), os comunistas de KKE, com 5% (15 cadeiras), e o centrista To Potami, com 4% e (11 cadeiras).

Como novidade entra no parlamento a União de Centristas, uma legenda fundada há mais de duas décadas que nunca obteve uma cadeira, e que agora consegue 9 assentos no parlamento com 3% dos votos.

Fora do plenário, por outro lado, ficou a recém-criada Unidade Popular, partido dissidente da Syriza e liderado pelo ex-ministro Panayotis Lafazanis, com 2,85%. O mínimo para entrar no parlamento é de 3%. EFE

rc/cs