Tem medo de comprar um celular online e receber um tijolo? Veja dicas de como não ser enganado na internet

  • Por Diogo Patroni/Jovem Pan
  • 19/06/2017 19h30 - Atualizado em 29/06/2017 00h47
Marcos Santos/USP Imagens Tecnologia da informaçãocomputador

Comprar pela internet é cada vez mais uma solução do que simplesmente comodidade. Segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), o ano de 2016 registrou 179 milhões de compras online em todo o País, com faturamento de R$ 53,4 bilhões, e crescimento de 11% em relação ao ano anterior.

Mas a facilidade de um simples “clique” também cria um ambiente propício aos fraudadores. Entre 2015/2016, o segmento de comércio eletrônico deixou de ganhar US$ 8 bilhões por conta desse “mercado” ilegal, conforme dados da Cybersecurity Ventures. Mesmo diante de um cenário que assusta, comprar por internet é realmente seguro?

De acordo com o especialista em prevenção a fraudes e monitoramento online do Pagar.me, Heitor Garcia, algumas dicas simples podem evitar que o consumidor caia em golpes.

“Primeiramente, busque saber a reputação do site/loja, pesquise se há muitas reclamações por meio de canais de comunicação ou do Reclame Aqui. Verifique se o site é seguro, com o cadeado no canto esquerdo da barra de endereços, e se possui selos antifraudes”, explica Garcia.

Além desses passos considerados básicos, o especialista salienta que compras ou transações bancárias jamais devem ser feitas ao utilizar redes públicas de Wi-Fi, pois os dados podem ser facilmente interceptados por oportunistas. “Se você precisar de urgência para alguma dessas operações use o 3G do seu celular”, recomenda.

Cartão x boleto

Heitor Garcia ressalta que embora ainda haja muita insegurança, motivada principalmente pelo vazamento de dados e clonagens, a utilização do cartão de crédito, como meio de pagamento, é a alternativa mais segura em transações online. A modalidade é utilizada por 70% dos consumidores. “Claro que o consumidor tende a ficar com medo. Mas há toda uma cadeia de pagamento que o protege. É possível reaver o dinheiro de forma mais rápida do que quando se utilizava cheques, por exemplo”, destaca Garcia.

O Boleto, opção muito comum de pagamento para aqueles mais “desconfiados”, não é muito aconselhável. “Os lojistas valorizam muito pelo custo mais baixo e por parecer menos propenso a fraudes, mas é o contrário. No cartão é possível cancelar a compra e pedir o estorno junto ao banco. Já no boleto o consumidor está à mercê do lojista, uma vez que foi pago não há nada que garanta a devolução do valor”, alerta.

Além disso, há também o risco de o produto não chegar. “Fora isso, dificilmente será possível descobrir o CNPJ desse comerciante na tentativa de formalizar uma denúncia”, completa.

Garcia cita como exemplo os casos dos “boletos do IPVA 2016”. Esse é o modus operandi mais comum de se beneficiar o fraudador”, enfatiza Garcia.

De acordo com o decreto 6523/08, o ressarcimento do valor indevido, caso comprovada a fraude, deve ocorrer em até cinco dias úteis. Assim, o credito “deve ser disponibilizado nas faturas seguintes”. Há ainda a opção para o débito em conta corrente, mas a política varia de banco para banco.

 Como acontece?

O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking entre os Países que mais sofrem golpes na internet, atrás apenas do México. Segundo os dados da Global Consumer Card Fraud 2016, 49% dos entrevistados já foram vítimas de fraudes.

Grande parte dos cibercrimes (64%) ocorrem durante a venda online por meio de sites de terceiros e em compras com o smartphone. Já 55% se dá por sites maliciosos, 39% por vendas e 36% por falsos callcenters. Há ainda grupos que conseguem os dados por meio da “deep web” ou em comunidades de fraudadores.

O Spam, e-mail indesejado com links maliciosos, os chamados phisings, também é a porta de entrada para os golpistas. “É importante ter consciência de onde nossa informação de contato vai aparecer, pois um simples endereço de e-mail pode ser replicado por várias pessoas. Nunca disponibilize seus contatos para consultas públicas”, alerta o especialista que ainda salienta: “Trocar a senha periodicamente também reduz os riscos de fraudes. É importante não usar todas as senhas para um único fim. Alterne sempre”, completa.

No entanto, as violações não acontecem somente via web. Há casos em que a pessoa é “instruída” a fornecer os dados pelo telefone. “Normalmente alguém liga, diz que é do banco e pede algumas informações para ‘confirmar’ a compra. Isso é muito recorrente e mais difícil dos sites se protegerem, embora haja mais proteção para evitar um ataque de força-bruta. Quando a compra é feita utilizando todos os dados verdadeiros é mais complicado para toda a cadeia entender que houve crime”, afirma.

Entre os segmentos mais suscetíveis a fraudes estão os sites de passagens aéreas, devido à rápida liquidez do mercado. O setor de eletrônicos surge na sequência, seguido por suplementos alimentares e vestuário.

Passo a passo para compras online:

1 – Verifique atentamente a barra de endereços do site/loja em que está comprando; 

2 – Verifique o rodapé da página, pois a Lei do E-commerce 7.962/13, obriga que todos os lojistas exibam o CNPJ para consulta;

3 – Confira o telefone para contato;

4 – Consulte os canais de comunicação (chat, redes sociais);

5 – Observe se consta alguma informação sobre a política de troca e devolução;

O que fazer?

Caso o consumidor tenha notado que houve algum tipo de violação de seus dados bancários, o mais importante a se fazer é entrar em contato com o banco solicitando o cancelamento do cartão e o estorno da compra. Também é preciso rever toda a sua identidade virtual e alterar todas as senhas. “Em geral, os bancos avisam sobre as movimentações suspeitas. Mas também devemos acompanhar o extrato bancário por meio do bankline. É importante sempre buscar mais opções de segurança, como tokens e chaves de segurança”, aconselha Garcia.

Combatendo o “chargeback”

Se o consumidor deve se precaver quanto a eventuais cibercrimes, o lojista também precisa redobrar os cuidados com a segurança de seu E-commerce. O conhecimento sobre segurança online e a utilização de ferramentas de proteção é o principal passo para combater o temido “chargeback”. O termo é aplicado para designar que a compra foi cancelada pelo consumidor sob a alegação de fraude ou quando a transação não segue os padrões pré-estabelecidos pelas administradoras de cartão.

“Optar por um bom antifraude é importante porque ali constam todas as análises de transações. O custo dessa ferramenta muitas vezes diminui a margem de lucro, mas certamente vai garantir a este lojista maior sustentabilidade no mercado”, ressalta Heitor Garcia, do Pagar.me.

A empresa atende mais de três mil clientes em todo o Brasil, e oferece ferramentas de monitoramento que comprovem a idoneidade junto ao consumidor final. “Analisamos o grau de segurança da plataforma sem impactar negativamente na arrecadação”, explica o especialista em prevenção a fraudes e monitoramento online.