Temporal causa alagamentos e trânsito recorde em SP

  • Por Estadão Conteúdo
  • 25/02/2015 21h58

Pedestres enfrentam forte chuva no bairro da LiberdadePedestres enfrentam forte chuva no bairro da Liberdade

A tempestade que atingiu a capital paulista na tarde desta quarta-feira provocou transbordamentos em três bairros, o maior índice de lentidão do ano e terminou com uma pessoa morta, atingida por um fio elétrico após a queda de uma árvore no centro. Além disso, causou uma revolta popular na Estação Barra Funda do Metrô e da CPTM, na zona oeste, por causa da paralisação do serviço de trens. A PM usou balas de borracha e duas pessoas ficaram feridas.

A morte aconteceu em Santa Cecília. Um homem havia descido do carro e seguia para uma entrevista de emprego na Rua Tupi quando a fiação elétrica, rompida com a queda de uma árvore, encostou no automóvel. Ele foi eletrocutado e morreu no local. Já na Barra Funda, a situação na estação, que já era caótica por causa de lentidão na Linha 3-Vermelha do Metrô e paralisação da Linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanas (CPTM), virou um grande tumulto quando cerca de 50 pessoas, com o rosto coberto, passaram a depredar trens, lojas e as catracas em uma revolta por causa da demora das composições, pouco antes das 20h. As testemunhas alegam que a Linha 7 estava paralisada havia quatro horas. Segundo a CPTM, a causa foi um alagamento que fechou a linha entre a Luz e Pirituba.

Quatro policiais militares tentaram conter os manifestantes, que destruíram máquinas de recarga do bilhete único, lâmpadas da estação e até uma moto da Polícia Militar. Por volta das 20 horas, era possível ver lixo espalhado pelo chão e pessoas feridas. Um corre-corre foi provocado pela confusão. Os manifestantes chegaram a colocar fogo no interior de um trem, mas as chamas foram contidas por funcionários. A fumaça branca se espalhou por todo o terminal. Trens tiveram bancos retirados e vidros quebrados. Barulho semelhante ao de disparo de arma de fogo foi ouvido na estação. Seguranças do Metrô estavam acuados em um canto do terminal. O reforço da PM chegou após as 20 horas para conter a confusão.

A gari Maria Aparecida dos Santos, de 55 anos, testemunhou o tumulto. “Eu estava dentro do vagão, sentada, havia mais de três horas. Quando eles anunciaram que o trem ia sair, um grupo de rapazes não deixou a porta fechar. A segurança interveio e começou a confusão. Os policiais que chegaram deram tiro de borracha e um grupo começou a quebrar tudo. Eu caí no chão e me machuquei com os vidros quebrados.” A situação só começou a ser normalizada depois das 20h45, quando os trens voltaram a circular na Linha 7. Ninguém foi preso, mas duas pessoas ficaram feridas com disparos de balas de borracha. Usuários de outra estação, a Tamanduateí, da Linha 10-Turquesa, também enfrentaram superlotação por causa da paralisação da linha, também por causa de um alagamento.

Todas as regiões da cidade também tiveram uma tarde caótica. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 251 quilômetros de congestionamento às 18h30, recorde do ano. Segundo a empresa, 91 semáforos ficaram queimados durante a tempestade. A Prefeitura contabilizou 16 quedas de árvores. Os primeiros alertas emitidos pela Prefeitura foram às 13h30, quando as zonas leste, centro e norte, além da Marginal do Tietê entraram em estado de atenção para enchentes. Às 16h10, o alerta valia para a cidade toda. O Corpo de Bombeiros enviou 12 equipes para a zona leste da cidade para ajudar pessoas que ficaram ilhadas, no meio da correnteza, na região da Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na Vila Prudente. Na Rua José Zappi, na Mooca, uma pessoa foi resgatada de bote. No centro, o Rio Tamanduateí transbordou na frente do Mercado Municipal, mas sem invadir o prédio.

O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura, registrou 26 pontos de alagamento. Dois deles foram nos corredores das Avenidas do Estado e Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na região do Ipiranga e da Vila Prudente, entre as zonas sul e leste da cidade.

Segundo o órgão, um medidor instalado na Subprefeitura de Vila Prudente registrou 111 milímetros de chuva entre 16 e 19 horas. É equivalente à metade do previsto para o mês de fevereiro. “Os córregos da Mooca e do Ipiranga, ambos da bacia do Rio Tamanduateí, mais as chuvas intensas que atingiram a região de São Caetano e de Santo André, provocaram inundações na Avenida Professor Luiz Inácio de Anhaia Melo, Avenida do Estado, Avenida Presidente Wilson, até a região do Parque D. Pedro”, avaliou a Prefeitura, em nota enviada no começo da noite. Choveu no Sistema Cantareira, mas o índice só seria divulgado amanhã pela Sabesp.