Todos os candidatos querem vencer Essebsi, favorito às eleições na Tunísia

  • Por Agencia EFE
  • 21/11/2014 16h01

Túnis, 21 nov (EFE).- Todos os candidatos que concorrem à presidência da Tunísia na eleição deste domingo têm como objetivo principal tentar evitar a mais que anunciada vitória de Beji Caid Essebsi, veterano político cujo partido ganhou de forma contundente os últimos pleitos legislativos.

Apesar desta situação, alguns candidatos contam com apoios eleitorais que podem colocá-los em boa posição na corrida para ocupar o palácio de Cartago, sede da presidência de Tunísia.

Um deles é o atual presidente transitório e candidato à reeleição, Moncef Marzouki, cujo partido sofreu uma derrota maiúscula nas legislativas, mas ainda conserva um prestigiado histórico democrata.

“Doutor Marzouki”, como é chamado por seus simpatizantes, nasceu em 7 de julho de 1945 em Grombalia, mas sua educação foi na cidade marroquina de Tânger, aonde sua família se exilou fugindo dos expurgos nos primeiros anos da Tunísia independente.

Brilhante estudante de ciências em Tânger, se formou em 1964 e obteve uma prestigiada bolsa de estudos para estudar em Estrasburgo , na França, onde se formou em Medicina e Psicologia em 1973.

Quando em 1979 retornou à Tunísia, já era um reconhecido neurologista com grande experiência em medicina interna e em saúde pública, e se tornou professor na universidade de Susa, de onde foi expulso em 2000 por suas atividades políticas ilegais.

Enquanto foi presidente da Liga Tunisiana dos Direitos Humanos, entre 1989 e 1994, Merzuki se transformou em inimigo figadal de Ben Ali por causa da oposição a uma lei sobre associações que impedia a independência delas, assim como por sua tentativa de se candidatar às eleições presidenciais contra o ditador, o que custou seu posto universitário, sua liberdade e finalmente o exílio em 2001.

Ao fundar em 2001 o Congresso Pela República (CPR) percebeu que nunca seria reconhecido pelas autoridades por promover a resistência civil pacífica como meio para acabar com a ditadura, e escolheu não retornar ao país até a queda do regime em 2011, desta vez em meio a multidões, o que o fez ser eleito presidente transitório de Tunísia por dois terços dos deputados.

Durante a atual campanha presidencial, Merzuki centrou sua estratégia eleitoral em desconstruir seu rival Essebsi, acusando-o de poder reinstalar no poder o antigo regime de Ben Ali, ideia que o fez conseguir o apoio de várias alas do islã político tunisiano.

Outro dos presidenciáveis, Hama Hamami, se apresenta como “o homem da esquerda” depois de sua coalizão da Frente Popular (FP) conquistar 15 cadeiras nas legislativas e varrer o resto da esquerda.

Nascido em 8 de janeiro de 1952, Hamami, representa a quintessência da histórica extrema esquerda tunisiana desde que foi preso pela primeira vez em 1972 por um mês e meio por organizar distúrbios estudantis contra o regime de Burguiba.

Quando em 1974 foi condenado a oito anos e meio de prisão e torturado por militares no partido clandestino Amal Tunisi, começou um longo histórico de condenações, sobretudo após criar, no começo da década de 80, o Partido dos Operários Comunistas da Tunísia (POCT).

Hamami passou os últimos 30 anos de sua vida entre a prisão, o exílio e a clandestinidade até que no final de 2010 mobilizou seus milhares de jovens seguidores para agitar no país o embrião da primavera árabe.

Durante a transição democrática, Hamami moderou o discurso de esquerda, abandonando o leninismo e transformando o clandestino POCT no Partido dos Trabalhadores que faz parte da Frente Popular, grupo do qual é porta-voz.

O último candidato com chances no domingo é o multimilionário e presidente do partido União Patriótica Livre (UPL), Eslim Riahi, que popularizou sua imagem de “quarentão vitorioso” após assumir a presidência do segundo time de futebol mais importante do país, o Club Africain, e após seu partido se consolidar como terceira força política no parlamento com 16 cadeiras.

Seu cabelo engomado, ternos de grifes europeias e automóveis de luxo fazem seu eleitorado esquecer a origem de sua fabulosa fortuna na Líbia, onde passou a infância e a juventude, no seio de uma família perseguida na Tunísia, mas protegida pelo entorno de Muammar Kadafi.

Outro dos políticos que sonhava em fazer sombra a Essebsi é Kamel Nabli, ex-presidente do Banco Central Tunisiano, que buscava os possíveis eleitores da classe média laica, mas que anunciou sua retirada da disputa no início desta semana. EFE