Transformação da Venezuela vai além de mudança de governo, diz Capriles

  • Por Agencia EFE
  • 28/02/2014 18h03

Bogotá, 28 fev (EFE).- O líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, afirmou nesta sexta-feira que a transformação de seu país vai além de uma mudança política, ao dizer que a Venezuela sustenta um “modelo fracassado” e o responsável por isso é o presidente Nicolás Maduro.

“Eu acho que a mudança na Venezuela é mais complexa que uma mudança de governo, é preciso mudar também os poderes públicos porque o país tem que dar um giro. Temos um modelo fracassado e grande parte do problema, sem dúvida alguma, é Nicolás Maduro”, criticou Capriles em entrevista à emissora colombiana “RCN”.

Capriles acrescentou que “o país vai rumo a um desastre econômico terrível”.

“O responsável por isso, o primeiro responsável, é Nicolás Maduro e seu governo. Ou muda ou nós venezuelanos temos a força, de maneira organizada, para mudar de governo e para isso existe a Constituição”, reiterou, lembrando que essas mudanças devem ser constitucionais, democráticas, pacíficas e com o apoio popular no processo eleitoral.

Capriles disputou e perdeu, no fim de 2012, a eleição para presidente contra Hugo Chávez, e hoje é governador do estado de Miranda e líder da ala mais moderada da oposição venezuelana.

O político reivindicou uma mudança de atitude de Maduro. “Diálogo significa escutar, ceder e pôr todo o esforço em resolver os problemas, mas se o governo acreditar que o problema vai se resolver com gases, balas e repressão isto vai continuar”, alertou.

Segundo Capriles, o governo de Maduro, que convocou na quarta-feira uma Conferência Nacional de Paz, teve uma resposta violenta contra os manifestantes nas últimas semanas.

“Se o governo fala de paz e horas depois reprime e continua com a mesma atitude, parece impossível chegar a algum acordo”, apontou Capriles.

E sobre a conferência convocada pelo presidente venezuelano, manifestou que, apesar de ter acontecido na quarta-feira, “ontem os estudantes continuaram nas ruas, fizeram pedidos que o governo não dá resposta porque para o governo são inegociáveis, como a libertação de seus companheiros” detidos. EFE