Transporte em cápsula a 1.200 km/h desperta interesse de 20 cidades

  • Por Agencia EFE
  • 10/09/2015 18h41

Madri, 10 set (EFE).- A tecnologia de Hyperloop, o projeto de meio de transporte que consiste em uma cápsula que levita e se desloca dentro de um tubo a 1.200 km/h, começará a transportar viajantes em 2018 ou 2019, e já há 20 cidades interessadas.

O projeto foi explicado nesta quinta-feira em entrevista à Agência Efe pelo CEO da Hyperloop Transportation Technologies, Dirk Ahlborn, que participou do encontro de empreendedores XSpain, em Madri.

“É difícil responder o que é a Hyperloop. Do lado da tecnologia, imagine uma cápsula cheia de gente que levita dentro de um tubo. Dentro desse tubo há uma pressão muito baixa, muito similar à de um avião que voa bem alto. Essa cápsula pode viajar a uma velocidade muito rápida com pouca energia, consegue alcançar os 1.200 km/h com pouquíssima energia”.

Energia renovável, alta velocidade e baixo custo de construção são os ingredientes da Hyperloop, um deslumbrante projeto impulsionado em 2013 pelo empresário Elon Musk (PayPal, Tesla e Space X) que parece ficção científica e, por enquanto, só existe no papel.

Na Hyperloop trabalham profissionais em troca de uma participação da empresa: 420 pessoas de diferentes países, companhias e universidades dedicam mais de 10 horas semanais ao projeto.

Nasa, Boeing, Tesla, SpaceX, Cisco, Google, Yahoo!, Airbus, Harvard, Stanford e o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) são algumas das organizações em que trabalham esses profissionais.

Ahlborn afirmou que a Hyperloop combina tecnologias que já existiam e acrescentou que foi desenvolvido um protótipo operacional que será testado em um trajeto de oito quilômetros em Quay Valley, na Califórnia.

“No final de 2014 terminamos o estudo de viabilidade. Já temos a tecnologia. Estamos trabalhando nas licenças, no ano que vem começa a construção e em 2018 ou 2019 abriremos para o público. É um projeto que funciona e com o qual vamos movimentaremos 10 milhões de pessoas ao ano. Aos oito anos, o investimento será rentável””, disse o diretor.

No entanto, Ahlborn revelou que o projeto continua a sofrer alterações diariamente e que a equipe precisa resolver determinados aspectos, como o modelo de embarque em veículos que partem a cada 30 segundos.

Em relação à resposta do corpo humano a uma viagem a essa velocidade, o executivo garantiu que a experiência será “confortável”.

Vinte cidades já se interessaram nessa tecnologia de transporte, segundo Ahlborn, que prevê que será mais bem-sucedida na África, na Ásia e no Oriente Médio por haver menos impedimentos burocráticos e governamentais para construir novas infraestruturas nessas regiões.

“Mais difícil do que a tecnologia e do que conseguir o dinheiro necessário é ter a aprovação pública, a aprovação dos governos, porque é um projeto de infraestrutura muito longo”, ressaltou.

Por enquanto, o projeto é privado e carece de financiamento público. Na opinião do CEO da empresa, é “melhor evitar os políticos”.

“Somos um movimento, não podem nos impedir. Em nosso caso, com ou sem dinheiro, as pessoas continuam no projeto. O dinheiro não é um problema, não será difícil consegui-lo graças à enorme oportunidade que se abre”, analisou.

Ahlborn defendeu que o custo de construção da Hyperloop é muito inferior ao da rede ferroviária de alta velocidade: a linha entre San Francisco e Los Angeles – que faria o trajeto em meia hora – custaria cerca de US$ 16 bilhões, frente aos US$ 68 bilhões do trem.

“Não somos contra o trem de alta velocidade, mas nossa tecnologia é melhor”, comentou. EFE