Travesti linchado no Marrocos recebe apoio de mais de 50 advogados

  • Por Agencia EFE
  • 09/07/2015 15h23

Rabat, 9 jul (EFE).- Mais de 50 advogados se apresentaram nesta quinta-feira para prestar assistência a um travesti no julgamento aberto no Tribunal de Primeira Instância de Fez contra dois jovens que participaram de seu linchamento em uma rua da cidade no último dia 29.

De acordo com o representante da Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), Mohamed Oulad Ayad, os advogados vieram de diversas cidades para apoiar à vítima hoje durante a realização da primeira audiência deste processo.

Os agressores são acusados de ferir o travesti que foi “descoberto” vestido e maquiado como uma mulher. O julgamento, no qual também estiveram presentes vários ativistas de ONGs pelas liberdades civis, foi adiado para o próximo 23 para dar tempo à defesa de preparar sua estratégia.

Ayad elogiou a atuação das autoridades de terem defendido a vítima, apesar de o homossexualismo ser legalmente proibido no Marrocos, e continuar as investigações para prender às outras pessoas que participaram da agressão.

A ação repercutiu nas redes sociais no dia 30 quando começaram a circular vídeos que mostram várias pessoas batendo e chutando um jovem vestido de mulher e com o cabelo longo, que está caído no chão, até que ele consegue se levantar e, para fugir, entra em um shopping, onde um policial o protege.

A agressão despertou uma onda de indignação na internet e na imprensa marroquina por conta dos frequentes casos de intolerância sobre questões morais registradas nas últimas semanas no país. Os homossexuais, além de ser castigados com penas de seis meses a três anos, sofrem uma grande reprovação social no Marrocos.

Ontem, o ministro da Justiça, Mustafa Ramid, disse em um debate que prefere renunciar a defender o homossexualismo, e acrescentou que, pessoalmente, não está “disposto a assumir a responsabilidade de defendê-los perante Alá”. EFE